quarta-feira, 15 de março de 2017

Campanha mobiliza a população contra o racismo no SUS







Em dezembro de 2014 o Ministério Saúde lançou uma campanha contra o racismo institucional no SUS. Pouco citado (ou nem isso) dentro das academias e em formações para profissionais (reuniões de sindicato, congressos, palestras, simpósios, etc.). O assunto tem consequências em que não só causa as doenças, mas promove sofrimento e morte.
O termo “racismo institucional” foi definido pelos integrantes do grupo Panteras Negras, para dizer como o racismo de estruturava nas organizações e instituições. Para Stokely Carmichael “trata-se da falha coletiva de uma organização em prover um serviço apropriado e profissional às pessoas por causa de sua cor, cultura ou origem étnica” (GELEDÉS – INSTITUTO DA MULHER NEGRA, 2017). Jurema Werneck definiu como um “modo de subordinar os direitos e a democracia às necessidades do racismo” (GELEDÉS – INSTITUTO DA MULHER NEGRA, 2017).
O racismo institucional na saúde se estrutura de diversas formas como, por exemplo:  na omissão de cuidado, na informação não passada ou passada de forma equivocada/incompleta, na negligência durante o atendimento e na negativa de acesso. Os pretos e pardos tendem a procurar menos os serviços de saúde, quando procuram tem maior probabilidade de não ser atendidos e quando são saem mais insatisfeitos. Um caso bem importante e não é dada a atenção devida pelos médicos clínicos nas emergências é a anemia falciforme que é uma doença grave e pode ser diagnosticada no teste do pezinho feito logo no nascimento do bebê e tem uma incidência de 6a 10% enquanto na população branca fica entre 2 e 4%. Na saúde da mulher os impactos vão desde a dificuldade para realizar uma mamografia.  “Segundo a PNAD de 2008, 40,9% das mulheres pretas e pardas acima de 40 anos de idade jamais haviam realizado mamografia em suas vidas, frente a 26,4% das brancas na mesma situação” (GELEDÉS, 2017 apud Paixão etalli, 2011: 19). Até nos casos de aborto em que as mulheres negras é a grande maioria que vai a óbito por realizar o procedimento de forma ilegal, insegura e precária.
Ninguém nasce odiando outra pessoa pela... Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar.” Nelson Mandela (1918-2013).
Somos reflexos daquilo que em nós foi construído desde o nascimento. O que comemos, vestimos, falamos... Tudo foi socialmente construído culturalmente e faz parte de nós. E quando nos damos conta, já estamos formados e somos assim: fruto de um contexto social. Como disse Mandela, o racismo é aprendido... E o que é construído pode ser desconstruído também. Um racismo que tem se estendido as mais diversas instituições na sociedade e tem levado muitos ao sofrimento por está presente no serviço de saúde que se é prestado a população. Serviço que nasceu de lutas da população pelo seu direito a saúde, e existe para beneficiar a população.
É importante que nós, estudantes da área de saúde e futuras (os) enfermeiras (os), fiquemos atentas e atentas (os) enquanto o tipo e a qualidade de serviço que será prestada a população economicamente vulnerável.  Que é composta majoritariamente por pretos e pardos, não julgando ou deduzindo os motivos que o levaram estar ali. A partir do momento em que o indivíduo se torna paciente é necessário que se dê um atendimento humanizado com observação das suas subjetividades.

Referências:
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. .Campanha mobiliza a população contra o racismo no SUS. 2014. Disponível em: <http://www.blog.saude.gov.br/index.php/34777-campanha-mobiliza-a-populacao-contra-o-racismo-no-sus>. Acesso em: 15 mar. 2017.

GELEDÉS – INSTITUTO DA MULHER NEGRA (Brasil). Guia de enfrentamento do racismo institucional. Disponível em: <http://www.onumulheres.org.br/wp-content/uploads/2013/12/Guia-de-enfrentamento-ao-racismo-institucional.pdf>. Acesso em: 15 mar. 2017.

Responsável pela publicação: Grupo 12 (Izis Lima, Jessica Frexeira, Talita Gonçalves)

terça-feira, 14 de março de 2017

Os dilemas da doação de órgãos

A recusa de doação de órgãos no Brasil é um problema grave, segundo a revista Estadão quase metade das famílias diz “não” a doação de órgão. Se você acha a fila do mercado grande ou dos bancos, imaginem uma com 34,5 mil pessoas, são aproximadamente cinco anos de espera. Em 2016, 2.013 pessoas que estavam na fila por um órgão morreram e foram apenas 2.854 doações.
Muitos fatores contribuem por esse baixo índice, como: sofrimento com a perda familiar, crença religiosa a não aceitação da manipulação do corpo e o desconhecimento. Para Edvaldo Leal de Moraes, vice-coordenador da Organização de Procura de Órgão (OPO) do hospital das Clínicas de São Paulo com 21 anos de carreira, frases como “Eu não tenho nada a ver com os filhos de outras mães” o assusta, para ele os motivos da recusa envolvem fatores culturais e a falta de informação. “ Ainda há muito a crença de que ocorrerá um ‘milagre’, mesmo em pessoas que até então não tinham manifestado nenhum tipo de ligação religiosa”, relata.
Campanhas para doação de órgãos possuem um grande valor. José Ottaiano, vice-presidente do Conselho de Oftalmologia afirma:  “A divulgação pela impressa e em novelas realmente facilita”. Entre os anos de 2013 a 2014 houve um aumento de 271 para 311 de transplantes de órgãos, sendo que em 2014 foi ao ar a novela Em Família, da Rede Globo, o personagem Cadu (interpretado por Reynaldo Gianecchini) passou por um transplante de coração.
Uma boa capacitação dos profissionais também possui sua importância. “Uma das explicações para a rejeição da doação é a falta de preparo profissional”, relata o coordenador médico Jóse Eduardo Afonso.
“Doar órgãos é eternizar uma parte de você, fazer com que a gratidão faça da saudade apenas um detalhe” (Professor Galvão).
E você, qual sua opinião sobre a doação de órgãos, você gostaria de ser um doador?  Comente aqui!





              Responsável pela publicação: Grupo 11 (Andreza Siqueira, Natália Webler e Vitória Lopes).

segunda-feira, 13 de março de 2017

A SAÚDE NO SISTEMA PRISIONAL

Você se lembra da última vez em que assistiu uma reportagem ou leu uma notícia em algum jornal sobre a saúde da população carcerária? 
Por que será que é um tema pouco abordado? Seria outra vertente do discurso "bandido bom é bandido morto"?





Responsável pela publicação: Grupo 11 (Andreza Siqueira, Natália Webler e Vitória Lopes).

ABANDONO DE IDOSOS NO BRASIL

O Brasil está envelhecendo, isso significa que a população brasileira tem um grande número de idosos, e este número tende a crescer. Acredita-se que daqui a 20 anos a tabela etária brasileira irá virar de ponta cabeça, ou seja, teremos mais idosos do que crianças. Com o envelhecimento da população, há também o aumento de doenças características, como a Doença de Alzheimer, por exemplo. Mas será que a população, familiares e sistema Brasileiro estão preparados para lidar com idosos e suas patologias?

O aumento no registro de abandono e violência contra o idoso é alarmante, após um levantamento e comparação de dados, foi possível constatar um aumento de 16,4% no Brasil. No país onde abandono ao idoso é crime, muitos são os casos de tal ação, famílias abandonam seus idosos, usando desculpas como falta de tempo para dedicar cuidados a eles ou até mesmo o gasto com esses cuidados. O abandono em questão, não é apenas abandona-los em um lar para idosos, talvez essa seja a melhor opção para muitos, mas também o abandono em seu próprio lar, abandona-los de cuidados em geral, deixando-os vulneráveis à acidentes domésticos e outros mais. Mas então por que não leva-los a um lar para idosos? O custo de manter o idosos em um lar particular, a falta de acesso a lares públicos, o que nos leva a outro questionamento: Até onde o sistema Brasileiro se mostra, também, responsável pelo abandono dos nossos idosos? Particularmente não conhecíamos asilo/casa de repouso/abrigos/lar para idosos financiado pelo estado (públicos) em pesquisa realizada, pudemos perceber que eles existem, mas em número de demanda bem inferior ao da procura. Segundo um estudo realizado pela Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) temos em média 20 milhões de idosos no Brasil e possuímos cerca de 218 asilos públicos, número que não supre as necessidades existentes.

O envelhecimento é consequência da vida, caso a vida não seja interrompida “precocemente”, todos chegam a velhice.

Como se morre de velhice
ou de acidente ou de doença,
morro, Senhor, de indiferença.

Da indiferença deste mundo
onde o que se sente e se pensa
não tem eco, na ausência imensa.

Na ausência, areia movediça
onde se escreve igual sentença
para o que é vencido e o que vença.

Salva-me, Senhor, do horizonte
sem estímulo ou recompensa
onde o amor equivale à ofensa.

De boca amarga e de alma triste
sinto a minha própria presença
num céu de loucura suspensa.

(Já não se morre de velhice
nem de acidente nem de doença,
mas, Senhor, só de indiferença.)

Cecília Meireles


Referências:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71672007000300004

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/07/1658430-registros-de-abandono-e-violencia-contra-idosos-no-pais-crescem-164.shtml

https://cronicasdeassis.wordpress.com/2014/02/18/como-se-morre-de-velhice-por-cecilia-meireles/

Responsável pela publicação: Grupo 11 (Andreza Siqueira, Natália Webler, Vitória Lopes).

quarta-feira, 8 de março de 2017

Homenagem às mulheres que desde sempre lutaram por todas nós


Responsável pela publicação: Grupo 10 (Fernanda Figueiredo, Juliana Lima e Sofia Camargo).

O que é doula?

Foto retirada do livro A Doula no Parto - Fadynha

A palavra doula vem do grego e significa aquela que serve outra mulher. Na atualidade, esse termo é utilizado para a acompanhante da gestante ou do casal “grávido”. A doula é uma pessoa que compreende e está familiarizada com os processos fisiológicos e emocionais relacionados a gravidez e o parto.

A maternidade e o nascimento, abrem novos horizontes para a mulher, nasce um ser único e especial, com ele nasce uma mãe, um pai, um irmão e uma nova família. A doula é a pessoa que está presente durante essa trajetória, nesse momento marcante, e com a experiência que possui, pode auxiliar em vários aspectos, dando além de apoio físico e energético, também emocional e espiritual.
É uma profissional especialmente treinada, através de cursos de capacitação, que oferece apoio contínuo e conforto físico à parturiente durante todo o trabalho de parto. A doula tem o conhecimento de algumas terapias naturais que amenizam o desconforto das contrações e auxiliam a mulher. Utiliza técnicas de respiração, relaxamento, posições de yoga, massagem e métodos não-farmacológicos para alívio à dor. Já existem evidencias científicas que comprovam que o uso de drogas durante o trabalho de parto é prejudicial e atrapalha as etapas fisiológicas do parto natural.

O papel da doula também é informativo e psicológico, pois está ao lado da gestante durante toda a gravidez para tirar qualquer dúvida, indicar livros e filmes, auxiliar na preparação para o parto e abordar temas relacionado ao puerpério e amamentação, dando assessoria inclusive no período após o parto.
Realiza visitas durante a gestação tendo o foco em assuntos como: etapas da evolução do trabalho de parto, receios e temores, sentimentos vinculados a esse momento, como se preparar física e emocionalmente para a maternidade, procedimentos que podem ou não ser utilizados durante o parto, preferencias para o nascimento e posições que respeitam as necessidades do corpo da mulher acima de tudo.

A doula tem o papel de mostrar o quanto é importante o casal se empoderar, sabendo que esse momento pertence a eles e que somente eles devem tomar as decisões. Orienta, auxilia e pondera junto com a gestante e seu parceiro as melhores alternativas, para o casal fazer suas escolhas de uma forma consistente e afetiva. O trabalho da doula é extremamente elucidante, é uma caminhada para o despertar da consciência e do poder do sagrado feminino.

O principal requisito para ser doula é a vontade de compartilhar desse ritual de passagem que é o parto. Qualquer pessoa que deseje pode se tornar doula, não precisa ser necessariamente profissional da saúde ou ser mãe ou ser mulher, hoje em dia até os homens estão se interessando por esse tema. Se você tem afinidade com assunto, gosta da ideia de acompanhar partos ou tem vontade de conhecer um pouco mais sobre esse universo fascinante da parteria, vale muito a pena se envolver nesse movimento de resgate ao parto natural

Responsável pela publicação: Grupo 10 (Fernanda Figueiredo, Juliana Lima e Sofia Camargo).

Entrevista com Mary Lucia Galvão

Entrevista com Mary Lucia Galvão, Enfermeira Obstetra de formação e parteira de coração, docente do curso de enfermagem da UNEB e ativista da Humanização.



Como se deu a sua trajetória profissional enquanto enfermeira obstetra?

Minha trajetória profissional se deu de uma forma muito direcionada para área da saúde da mulher desde o início da minha formação. Logo após a formação, eu escolhi trabalhar em uma maternidade pública no interior da Bahia e descobri de uma forma singular, que eu me encaixava muito bem no cuidado à mulher, e só muito mais tarde percebi o porquê que eu escolhi a obstetrícia. Logo quando comecei, foi de forma muito intuitiva e amorosa, me senti seduzida pela assistência à saúde da mulher, antes de fazer a especialização. Primeiro fui trabalhar na maternidade apenas com a graduação e habilitação em obstetrícia e após 3 anos de assistência na clínica de saúde da mulher, resolvi buscar uma especialização, fui para São Paulo e fiz especialização e mestrado em obstetrícia. Mas o que fechou de forma bem impactante a minha área na obstetrícia, foi um estágio que fiz com uma parteira alemã, o que mudou totalmente o meu foco, a minha identidade profissional. Foi um estágio numa ONG chamada Monte Azul, em que a parteira trabalhava em outro modelo diferente do qual eu já tinha aprendido durante a especialização na Escola Paulista de Medicina. Quando eu comecei a fazer o estágio com essa parteira, percebi que existia uma incoerência entre a minha forma de cuidar e a forma dela de assistir e cuidar da mulher, e logo identifiquei que estávamos trabalhando com a mesma temática, saúde da mulher, pré-natal, parto e ginecologia, mas de forma muito distinta. Então, ela me chamou para conversar e explicou que eu estava fazendo o modelo antigo, que era o modelo tecnocrático, e ela já trabalhava no modelo holístico. E foi ali que minha formação se completou, digamos assim, a minha área de especialidade ficou bem sedimentada a partir do conhecimento de outros modelos de assistência. Portanto, minha trajetória profissional começou primeiro na assistência, depois fiz a especialização, posteriormente esse estágio complementar, o mestrado, à docência e eu fui me aperfeiçoando. E principalmente o que me dá hoje mais segurança nessa área de especialidade, é a experiência acumulada durante esses 35 anos de prática em obstetrícia. Eu tenho 35 anos de formada, e desses, 32 anos com parto e 20 com parto domiciliar. Sou enfermeira na área de saúde da mulher com foco na assistência ao parto humanizado e sou de certa forma, uma ativista dessa causa, porque represento o ReHuNa, Rede pela Humanização do Parto e Nascimento. E também porque atuo no ministério nessa área de assistência ao parto em zonas rurais, capacitando parteiras tradicionais que acumulam saberes, não capacitando na verdade, trocando saberes, e venho fazendo isso de uma forma cada vez mais prazerosa. Foi assim que eu percorri minha trajetória profissional, comecei no interior da Bahia, depois fui para São Paulo, lá trabalhei por 10 anos em maternidades públicas e privadas fazendo assistência direta ao parto normal, voltei para Bahia em 1999 e agora estou na área de assistência a clínica e na docência.
  
Na sua opinião, nos últimos anos, tem ocorrido alguma mudança nas práticas obstétricas no Brasil?

Sim, mudanças significativas. E alguns elementos para ilustrar essas mudanças são legislações totalmente novas, a exemplo da lei do acompanhante que desde 2005 é lei em todo território nacional. As políticas públicas de assistência ao parto, as campanhas de incentivo ao parto normal, os programas, como a rede cegonha, o foco na assistência a partir de Centros de Parto Normais, os CPNs e o financiamento e apoio a cursos de enfermagem obstétrica em todo brasil. O ministério fez isso de 1999 a 2005 e eu coordenei 3 desses cursos todos promovidos e financiados pelo governo, em parceria com as universidades, em que formei 85 enfermeiras obstétricas. Esses inúmeros cursos de capacitação que foram financiados pelo ministério, serviram para mudanças de modelos assistenciais em maternidades públicas, a exemplo do que está acontecendo no Sofia Feldman em Belo Horizonte, onde a enfermeira obstétrica é responsável pelo parto humanizado, apresentando dados epidemiológicos muito interessantes. Uma última pesquisa no Brasil traz dados muito significativos sobre as mudanças obstétricas a partir do ano de 2000. Simone Diniz também tem um artigo muito bom que fala sobre a história da humanização do parto no Brasil, e nele aponta inúmeros avanços desde a presença da enfermeira obstétrica na cena do parto, bem como o incentivo às boas práticas médicas baseada em evidências e traz também todos os manuais do ministério, como o Humaniza SUS. Até a mídia contribuiu muito, nós temos agora programas direcionados para esse novo modelo de assistência, como por exemplo no canal GNT o programa Boas Vindas, que aparece muita coisa esdrúxula, diria, como se fizesse parte da humanização do parto, mas ainda assim, com os furos que o programa apresenta, é uma forma de ampliar o debate sobre essa nova forma de nascer no Brasil. Tem também o prêmio Galba de Araújo, que da década de 90 até 2008, deu incentivo a maternidade segura, que era um incentivo não só por título, mas também financeiro para maternidade que conseguia dar os 10 passos para a humanização. Esses são dados importantes dessa mudança que vem acontecendo no Brasil, desde a década de 90, com mais ênfase agora nessa última década. E interessante que hoje, exatamente hoje, saiu uma nova legislação no ministério para identificar e ressaltar as violências obstétricas. Isso é muito bom, muito interessante, é isso que eu vejo como avanço em obstetrícia.

Link do artigo de Simone Diniz 

Responsável pela publicação: Grupo 10 (Fernanda Figueiredo, Juliana Lima e Sofia Camargo).

Parto Domiciliar: Acolhimento e Respeito!






Responsável pela publicação: Grupo 10 (Fernanda Figueiredo, Juliana Lima e Sofia Camargo).

Anticoncepcional: Mitos e verdades

Desde que entrou no universo feminino a pílula anticoncepcional não sai da boca das mulheres, e para algumas, esse método contraceptivo ainda é um assunto muito polêmico, muitas mulheres tem um certo preconceito com a pílula devido a alguns mitos que foram surgindo ao longo dos anos. É verdade que inicialmente as taxas hormonais postas no medicamento eram bem altas, isso acontecia porque não se sabia ao certo qual era a quantidade necessária para impedir a ovulação, com o tempo e aperfeiçoamento as taxas foram diminuindo pois foi visto que assim o resultado seria satisfatório. A maioria das mulheres tem algumas perguntas sobre o uso da pílula e em uma revista online alguns ginecologistas se dispuseram a responde-las.


Pílula engorda

As bulas de grande parte das pílulas anticoncepcionais disponível nas gôndolas alertam que é possível observar alguma oscilação de peso. No entanto, a maioria das marcas utilizadas atualmente apresenta baixa dosagem hormonal, o que significa que os casos de mulheres que ganham peso por este motivo são poucos. “Não é uma regra, a maioria das mulheres não engorda e existe até uma minoria que emagrece. Mas algumas apresentam certo inchaço. Quem engordar muito rápido, por exemplo, ganhar cinco quilos em dois meses, sem nenhuma alteração aparente de rotina, deve procurar o médico para mudar a medicação” informa a ginecologista.

Emendar duas cartelas compromete a fertilidade

A maioria das mulheres acredita que tomar pílulas de forma contínua, evitando assim a menstruação, pode “bagunçar” o organismo e trazer problemas quando o desejo de ser mãe aparecer. “Não existe risco nenhum associado a essa prática. As pílulas são de baixíssima dose. A única recomendação para estas mulheres é que visitem o ginecologista semestralmente”, explica a ginecologista.

É possível tomar duas pílulas de uma vez no caso de esquecimento

A ginecologista avisa que esta crença não tem fundamento. Além disso, o efeito da pílula é comprometido caso isso se torne um hábito. “Nestes casos, a mulher pode tomar outra pílula em até 12h depois do esquecimento. Passando disso, não adianta nada tomar, não fará efeito algum”, explica. No entanto, a especialista conforta as “esquecidinhas”: “se ela esquecer de tomar uma única pílula, não tem o risco real de engravidar, exceto no caso das meninas mais jovens, que estão muito férteis. Em todo caso, aconselhamos que, a partir do esquecimento, ela use a camisinha até que termine a cartela, apenas por excesso de zelo”, pontua.

Alguns remédios podem anular o efeito do anticoncepcional

De acordo com a ginecologista, essa afirmação é verdadeira, especialmente no caso dos antibióticos. “Os remédios são metabolizados juntos no fígado. Então, se o organismo tiver que escolher um dos dois para metabolizar, ele vai priorizar o antibiótico”, explica. A camisinha nunca é dispensável e se faz ainda mais importante para as mulheres que estão fazendo uso de alguma medicação.

Outro assunto que também é muito comentado nesse meio é, se as pílulas aumentam o risco de desenvolver trombose. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mulheres que usam anticoncepcionais contendo drospirenona, gestodeno ou desogestrel (caso das pílulas) têm um risco de 4 a 6 vezes maior de desenvolver tromboembolismo venoso, em um ano, do que as mulheres que não usam contraceptivos hormonais combinados. De qualquer forma, segundo os médicos especialistas, se não há outros fatores de influência, o risco ainda assim é pequeno.

“Os benefícios dos anticoncepcionais na prevenção da gravidez continuam a superar seus riscos. Além disso, os riscos de eventos como trombose envolvendo todos os contraceptivos orais combinados é conhecidamente pequeno”, informou a Anvisa.

Mesmo com a pequena chance, a possibilidade de efeitos colaterais é o principal argumento dos médicos para que as mulheres não escolham a pílula por conta própria. Antes de receitar o anticoncepcional ideal, o ginecologista deverá fazer um questionário para ver se a paciente tem alguns dos fatores que podem desencadear problemas pelo uso da pílula e aumentar a probabilidade de ter uma trombose, entre outras doenças.

Ainda segundo a Anvisa, “antes do início do uso de qualquer contraceptivo, deve ser realizado minucioso histórico individual da mulher, seu histórico familiar e um exame físico incluindo determinação da pressão arterial. É importante também perguntar se a paciente toma qualquer outro medicamento que possa interagir com os hormônios da pílula, por exemplo, pacientes que tomam anticoagulantes exatamente para evitar a trombose, não é indicado o uso de pílula.

Existem muitas outras dúvidas envolvendo o uso da pílula, o mais indicado é procurar um ginecologista para se informar mais sobre o assunto e evitar tomar remédios sem indicação. A camisinha ainda é o método contraceptivo mais seguro e eficaz, mesmo para aquelas mulheres que tomam pílula para não engravidar, é a camisinha a responsável por impedir as doenças sexualmente transmissíveis. Tomar medicamento de base hormonal pode causar alguns problemas a longo prazo, mesmo com taxas baixas, além de que sabemos que hormônios tem base lipídica e isso pode influenciar no aparecimento de varizes e celulites, além de influenciar na trombose (mesmo que seja de baixo risco). Não existe método 100% seguro para prevenção, mas com os cuidados necessários é possível manter a saúde e o bem-estar do corpo.

Fontes de pesquisa:


Responsável pela publicação: Grupo 10 (Fernanda Figueiredo, Juliana Lima e Sofia Camargo).

Cientistas usam maçã para criar tecido humano para transplante



Para a imensa maioria da população mundial, maçã serve para comer. Mas, para o biofísico canadense Andrew Pelling, a fruta tem outras finalidades. Pelling é professor da Universidade de Ottawa, no Canadá, e vem usando não só a maçã, mas outras frutas, verduras, legumes e até flores para ajudar a reconstruir o corpo humano. Por trás disso, está a intenção de desenvolver métodos mais novos e baratos da chamada medicina regenerativa.

Em um experimento recente, Pelling e sua equipe removeram as células e o DNA de uma maçã, até sobrar apenas a sua estrutura de celulose - a mesma que deixa a fruta crocante. Existente na maioria dos vegetais de característica fibrosa, a celulose é responsável por dar a rigidez e firmeza às plantas e não é digerida pelos seres humanos. Os cientistas constataram, então, que essa estrutura se mostrou efetiva para o implante de células vivas em laboratório, incluindo células humanas. Em um segundo momento, a equipe esculpiu maçãs em formato de orelha, e usou as estruturas de celulose resultantes para implantar - nelas - células humanas, recriando "orelhas".

"Trata-se de um material de baixo custo com o qual você criar diferentes estruturas. Ele abre várias possibilidades para a medicina regenerativa", diz Pelling em entrevista à BBC.

Esse tipo de suporte para fazer implantes em pacientes com tecidos danificados ou doentes é uma ferramenta essencial para a medicina regenerativa. Médicos e dentistas usam essas estruturas para fazer enxerto de pele e de osso, e para reparar joelhos danificados, ligamentos e gengivas. Mas os produtos disponíveis no mercado podem ser muito caros - entre US$ 30 a US$ 1,5 mil por centímetro quadrado ─ e são normalmente derivados de animais ou cadáveres humanos já a estrutura feita a partir da maçã custa centavos de dólar, para conduzir o experimento, Pelling transplantou as estruturas de celulose em uma cobaia e observou a formação de vasos sanguíneos.

Pelling espera poder desenvolver materiais de baixo custo e "de código aberto" (ou seja, capaz de ser adaptado e aperfeiçoado por outros cientistas) que ajudem a impulsionar a revolução.

"O próximo desafio é saber se poderemos trabalhar com organismos mais complicados, órgãos, músculos ou ossos", afirma.


Responsável pela publicação: Grupo 10 (Fernanda Figueiredo, Juliana Lima e Sofia Camargo).