quarta-feira, 8 de março de 2017

Entrevista com Mary Lucia Galvão

Entrevista com Mary Lucia Galvão, Enfermeira Obstetra de formação e parteira de coração, docente do curso de enfermagem da UNEB e ativista da Humanização.



Como se deu a sua trajetória profissional enquanto enfermeira obstetra?

Minha trajetória profissional se deu de uma forma muito direcionada para área da saúde da mulher desde o início da minha formação. Logo após a formação, eu escolhi trabalhar em uma maternidade pública no interior da Bahia e descobri de uma forma singular, que eu me encaixava muito bem no cuidado à mulher, e só muito mais tarde percebi o porquê que eu escolhi a obstetrícia. Logo quando comecei, foi de forma muito intuitiva e amorosa, me senti seduzida pela assistência à saúde da mulher, antes de fazer a especialização. Primeiro fui trabalhar na maternidade apenas com a graduação e habilitação em obstetrícia e após 3 anos de assistência na clínica de saúde da mulher, resolvi buscar uma especialização, fui para São Paulo e fiz especialização e mestrado em obstetrícia. Mas o que fechou de forma bem impactante a minha área na obstetrícia, foi um estágio que fiz com uma parteira alemã, o que mudou totalmente o meu foco, a minha identidade profissional. Foi um estágio numa ONG chamada Monte Azul, em que a parteira trabalhava em outro modelo diferente do qual eu já tinha aprendido durante a especialização na Escola Paulista de Medicina. Quando eu comecei a fazer o estágio com essa parteira, percebi que existia uma incoerência entre a minha forma de cuidar e a forma dela de assistir e cuidar da mulher, e logo identifiquei que estávamos trabalhando com a mesma temática, saúde da mulher, pré-natal, parto e ginecologia, mas de forma muito distinta. Então, ela me chamou para conversar e explicou que eu estava fazendo o modelo antigo, que era o modelo tecnocrático, e ela já trabalhava no modelo holístico. E foi ali que minha formação se completou, digamos assim, a minha área de especialidade ficou bem sedimentada a partir do conhecimento de outros modelos de assistência. Portanto, minha trajetória profissional começou primeiro na assistência, depois fiz a especialização, posteriormente esse estágio complementar, o mestrado, à docência e eu fui me aperfeiçoando. E principalmente o que me dá hoje mais segurança nessa área de especialidade, é a experiência acumulada durante esses 35 anos de prática em obstetrícia. Eu tenho 35 anos de formada, e desses, 32 anos com parto e 20 com parto domiciliar. Sou enfermeira na área de saúde da mulher com foco na assistência ao parto humanizado e sou de certa forma, uma ativista dessa causa, porque represento o ReHuNa, Rede pela Humanização do Parto e Nascimento. E também porque atuo no ministério nessa área de assistência ao parto em zonas rurais, capacitando parteiras tradicionais que acumulam saberes, não capacitando na verdade, trocando saberes, e venho fazendo isso de uma forma cada vez mais prazerosa. Foi assim que eu percorri minha trajetória profissional, comecei no interior da Bahia, depois fui para São Paulo, lá trabalhei por 10 anos em maternidades públicas e privadas fazendo assistência direta ao parto normal, voltei para Bahia em 1999 e agora estou na área de assistência a clínica e na docência.
  
Na sua opinião, nos últimos anos, tem ocorrido alguma mudança nas práticas obstétricas no Brasil?

Sim, mudanças significativas. E alguns elementos para ilustrar essas mudanças são legislações totalmente novas, a exemplo da lei do acompanhante que desde 2005 é lei em todo território nacional. As políticas públicas de assistência ao parto, as campanhas de incentivo ao parto normal, os programas, como a rede cegonha, o foco na assistência a partir de Centros de Parto Normais, os CPNs e o financiamento e apoio a cursos de enfermagem obstétrica em todo brasil. O ministério fez isso de 1999 a 2005 e eu coordenei 3 desses cursos todos promovidos e financiados pelo governo, em parceria com as universidades, em que formei 85 enfermeiras obstétricas. Esses inúmeros cursos de capacitação que foram financiados pelo ministério, serviram para mudanças de modelos assistenciais em maternidades públicas, a exemplo do que está acontecendo no Sofia Feldman em Belo Horizonte, onde a enfermeira obstétrica é responsável pelo parto humanizado, apresentando dados epidemiológicos muito interessantes. Uma última pesquisa no Brasil traz dados muito significativos sobre as mudanças obstétricas a partir do ano de 2000. Simone Diniz também tem um artigo muito bom que fala sobre a história da humanização do parto no Brasil, e nele aponta inúmeros avanços desde a presença da enfermeira obstétrica na cena do parto, bem como o incentivo às boas práticas médicas baseada em evidências e traz também todos os manuais do ministério, como o Humaniza SUS. Até a mídia contribuiu muito, nós temos agora programas direcionados para esse novo modelo de assistência, como por exemplo no canal GNT o programa Boas Vindas, que aparece muita coisa esdrúxula, diria, como se fizesse parte da humanização do parto, mas ainda assim, com os furos que o programa apresenta, é uma forma de ampliar o debate sobre essa nova forma de nascer no Brasil. Tem também o prêmio Galba de Araújo, que da década de 90 até 2008, deu incentivo a maternidade segura, que era um incentivo não só por título, mas também financeiro para maternidade que conseguia dar os 10 passos para a humanização. Esses são dados importantes dessa mudança que vem acontecendo no Brasil, desde a década de 90, com mais ênfase agora nessa última década. E interessante que hoje, exatamente hoje, saiu uma nova legislação no ministério para identificar e ressaltar as violências obstétricas. Isso é muito bom, muito interessante, é isso que eu vejo como avanço em obstetrícia.

Link do artigo de Simone Diniz 

Responsável pela publicação: Grupo 10 (Fernanda Figueiredo, Juliana Lima e Sofia Camargo).

Parto Domiciliar: Acolhimento e Respeito!






Responsável pela publicação: Grupo 10 (Fernanda Figueiredo, Juliana Lima e Sofia Camargo).

Anticoncepcional: Mitos e verdades

Desde que entrou no universo feminino a pílula anticoncepcional não sai da boca das mulheres, e para algumas, esse método contraceptivo ainda é um assunto muito polêmico, muitas mulheres tem um certo preconceito com a pílula devido a alguns mitos que foram surgindo ao longo dos anos. É verdade que inicialmente as taxas hormonais postas no medicamento eram bem altas, isso acontecia porque não se sabia ao certo qual era a quantidade necessária para impedir a ovulação, com o tempo e aperfeiçoamento as taxas foram diminuindo pois foi visto que assim o resultado seria satisfatório. A maioria das mulheres tem algumas perguntas sobre o uso da pílula e em uma revista online alguns ginecologistas se dispuseram a responde-las.


Pílula engorda

As bulas de grande parte das pílulas anticoncepcionais disponível nas gôndolas alertam que é possível observar alguma oscilação de peso. No entanto, a maioria das marcas utilizadas atualmente apresenta baixa dosagem hormonal, o que significa que os casos de mulheres que ganham peso por este motivo são poucos. “Não é uma regra, a maioria das mulheres não engorda e existe até uma minoria que emagrece. Mas algumas apresentam certo inchaço. Quem engordar muito rápido, por exemplo, ganhar cinco quilos em dois meses, sem nenhuma alteração aparente de rotina, deve procurar o médico para mudar a medicação” informa a ginecologista.

Emendar duas cartelas compromete a fertilidade

A maioria das mulheres acredita que tomar pílulas de forma contínua, evitando assim a menstruação, pode “bagunçar” o organismo e trazer problemas quando o desejo de ser mãe aparecer. “Não existe risco nenhum associado a essa prática. As pílulas são de baixíssima dose. A única recomendação para estas mulheres é que visitem o ginecologista semestralmente”, explica a ginecologista.

É possível tomar duas pílulas de uma vez no caso de esquecimento

A ginecologista avisa que esta crença não tem fundamento. Além disso, o efeito da pílula é comprometido caso isso se torne um hábito. “Nestes casos, a mulher pode tomar outra pílula em até 12h depois do esquecimento. Passando disso, não adianta nada tomar, não fará efeito algum”, explica. No entanto, a especialista conforta as “esquecidinhas”: “se ela esquecer de tomar uma única pílula, não tem o risco real de engravidar, exceto no caso das meninas mais jovens, que estão muito férteis. Em todo caso, aconselhamos que, a partir do esquecimento, ela use a camisinha até que termine a cartela, apenas por excesso de zelo”, pontua.

Alguns remédios podem anular o efeito do anticoncepcional

De acordo com a ginecologista, essa afirmação é verdadeira, especialmente no caso dos antibióticos. “Os remédios são metabolizados juntos no fígado. Então, se o organismo tiver que escolher um dos dois para metabolizar, ele vai priorizar o antibiótico”, explica. A camisinha nunca é dispensável e se faz ainda mais importante para as mulheres que estão fazendo uso de alguma medicação.

Outro assunto que também é muito comentado nesse meio é, se as pílulas aumentam o risco de desenvolver trombose. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mulheres que usam anticoncepcionais contendo drospirenona, gestodeno ou desogestrel (caso das pílulas) têm um risco de 4 a 6 vezes maior de desenvolver tromboembolismo venoso, em um ano, do que as mulheres que não usam contraceptivos hormonais combinados. De qualquer forma, segundo os médicos especialistas, se não há outros fatores de influência, o risco ainda assim é pequeno.

“Os benefícios dos anticoncepcionais na prevenção da gravidez continuam a superar seus riscos. Além disso, os riscos de eventos como trombose envolvendo todos os contraceptivos orais combinados é conhecidamente pequeno”, informou a Anvisa.

Mesmo com a pequena chance, a possibilidade de efeitos colaterais é o principal argumento dos médicos para que as mulheres não escolham a pílula por conta própria. Antes de receitar o anticoncepcional ideal, o ginecologista deverá fazer um questionário para ver se a paciente tem alguns dos fatores que podem desencadear problemas pelo uso da pílula e aumentar a probabilidade de ter uma trombose, entre outras doenças.

Ainda segundo a Anvisa, “antes do início do uso de qualquer contraceptivo, deve ser realizado minucioso histórico individual da mulher, seu histórico familiar e um exame físico incluindo determinação da pressão arterial. É importante também perguntar se a paciente toma qualquer outro medicamento que possa interagir com os hormônios da pílula, por exemplo, pacientes que tomam anticoagulantes exatamente para evitar a trombose, não é indicado o uso de pílula.

Existem muitas outras dúvidas envolvendo o uso da pílula, o mais indicado é procurar um ginecologista para se informar mais sobre o assunto e evitar tomar remédios sem indicação. A camisinha ainda é o método contraceptivo mais seguro e eficaz, mesmo para aquelas mulheres que tomam pílula para não engravidar, é a camisinha a responsável por impedir as doenças sexualmente transmissíveis. Tomar medicamento de base hormonal pode causar alguns problemas a longo prazo, mesmo com taxas baixas, além de que sabemos que hormônios tem base lipídica e isso pode influenciar no aparecimento de varizes e celulites, além de influenciar na trombose (mesmo que seja de baixo risco). Não existe método 100% seguro para prevenção, mas com os cuidados necessários é possível manter a saúde e o bem-estar do corpo.

Fontes de pesquisa:


Responsável pela publicação: Grupo 10 (Fernanda Figueiredo, Juliana Lima e Sofia Camargo).

Cientistas usam maçã para criar tecido humano para transplante



Para a imensa maioria da população mundial, maçã serve para comer. Mas, para o biofísico canadense Andrew Pelling, a fruta tem outras finalidades. Pelling é professor da Universidade de Ottawa, no Canadá, e vem usando não só a maçã, mas outras frutas, verduras, legumes e até flores para ajudar a reconstruir o corpo humano. Por trás disso, está a intenção de desenvolver métodos mais novos e baratos da chamada medicina regenerativa.

Em um experimento recente, Pelling e sua equipe removeram as células e o DNA de uma maçã, até sobrar apenas a sua estrutura de celulose - a mesma que deixa a fruta crocante. Existente na maioria dos vegetais de característica fibrosa, a celulose é responsável por dar a rigidez e firmeza às plantas e não é digerida pelos seres humanos. Os cientistas constataram, então, que essa estrutura se mostrou efetiva para o implante de células vivas em laboratório, incluindo células humanas. Em um segundo momento, a equipe esculpiu maçãs em formato de orelha, e usou as estruturas de celulose resultantes para implantar - nelas - células humanas, recriando "orelhas".

"Trata-se de um material de baixo custo com o qual você criar diferentes estruturas. Ele abre várias possibilidades para a medicina regenerativa", diz Pelling em entrevista à BBC.

Esse tipo de suporte para fazer implantes em pacientes com tecidos danificados ou doentes é uma ferramenta essencial para a medicina regenerativa. Médicos e dentistas usam essas estruturas para fazer enxerto de pele e de osso, e para reparar joelhos danificados, ligamentos e gengivas. Mas os produtos disponíveis no mercado podem ser muito caros - entre US$ 30 a US$ 1,5 mil por centímetro quadrado ─ e são normalmente derivados de animais ou cadáveres humanos já a estrutura feita a partir da maçã custa centavos de dólar, para conduzir o experimento, Pelling transplantou as estruturas de celulose em uma cobaia e observou a formação de vasos sanguíneos.

Pelling espera poder desenvolver materiais de baixo custo e "de código aberto" (ou seja, capaz de ser adaptado e aperfeiçoado por outros cientistas) que ajudem a impulsionar a revolução.

"O próximo desafio é saber se poderemos trabalhar com organismos mais complicados, órgãos, músculos ou ossos", afirma.


Responsável pela publicação: Grupo 10 (Fernanda Figueiredo, Juliana Lima e Sofia Camargo).

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

O direito de decidir sobre a própria vida X O direito de decidir sobre a própria morte

Vamos iniciar conceituando um termo muito visto na Filosofia, a ética.
Ética- 1. Estudo dos juízes de apreciação referentes à conduta humana, do ponto de vista do bem e do mal. 2. Conjunto de normas e princípios que norteiam a boa conduta do ser humano.
Com a definição dessa palavra podemos ver que há normas e princípios que regem a sociedade. Essas normas são frutos do percurso civilizatório, pois foi a partir do desenvolvimento da sociedade que ações do estado se desenvolveram com vistas a “equilibrar tensões sociais.” Logo, podemos dizer que quanto mais complexa a sociedade, mais complexos serão os processos de controle e repressão do estado. Nesse sentido, o processo de civilização traz uma noção limitada de liberdade e que modela a sociedade desejada pelo Estado.
Agora vamos definir o conceito de liberdade, buscado também no Dicionário Aurélio.
Liberdade- 1. Faculdade de cada um se decidir ou agir segundo a própria determinação. 2. Estado ou condição de homem libre. 3. Confiança, intimidade (às vezes abusiva).
Partindo desse outro conceito de liberdade, e refletindo sobre a vida e a morte, lembramos do caso do homem belga que por não se aceitar gay tenta receber uma autorização legal para morrer.
“Sempre pensei na morte. O que sinto é um sofrimento permanente, é como estar aprisionado em meu próprio corpo”, explicou o belga conhecido como Sébastien.
“É uma constante sensação de vergonha, uma sensação de cansaço de estar atraído por quem você não deveria. É como se tudo fosse ao contrário do eu que gostaria”, continuou.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de desistir da eutanásia ele demonstra ceticismo.
“Se alguém me desse uma cura milagrosa, por que não? No momento, porém, eu não acredito mais. Estou cansado.”
 “O maior problema será contar para minha família. Se eu receber um sim (a autorização para morrer), esse será o maior problema.”
Vale lembrar que na Bélgica a eutanásia é legal desde 2002, e que em 2013 houve 1.807 casos no país, a maioria deles de pessoas idosas sofrendo de doenças terminais - apenas 4% tinham distúrbios psiquiátricos. A lei permite, inclusive, a prática em crianças que estão em estado terminal. Além disso, para ter direito à eutanásia, os pacientes precisam demonstrar constante e insuportável sofrimento psicológico ou físico. Nos casos de transtornos psicológicos, três médicos precisam concordar que pôr fim à vida do paciente, caso essa seja sua vontade, é a melhor opção.
Porém, os especialistas debatem se isso deveria se aplicar às pessoas que são mentalmente frágeis.
Caroline Depuydt, psicóloga que trabalha no hospital psiquiátrico Clinique Fond’Roy, em Bruxelas, diz que prefere encorajar pacientes a buscar tratamento.
“Sempre temos algo que pode funcionar. Tempo, remédios, psicoterapia - algo que precisamos tentar e perseverar. O psiquiatra sempre precisa dar esperanças ao paciente de que as coisas não terminaram”, afirmou ela.
“É uma lei difícil, que envolve questões filosóficas e éticas. Não há uma única resposta.”
Então caro leitores... É isso! O importante é refletirmos sobre o assunto e lembrarmos que permitir ou não que a pessoa decida sobre a própria morte não se refere somente a casos de doenças terminais, como imaginamos na maioria das vezes, mas também à pessoas que não se aceitam e não querem mais seguir com a vida. Portanto, dentro da nossa liberdade, nem tudo se convém, e ainda é preciso que as práticas estejam de acordo aos ditos “bons costumes.”
Referências:

Responsável pela publicação: Grupo 09 (Amanda Morais, Ravive Silvão)

Interferência religiosa no processo saúde-doença

  É preciso entender que a religiosidade e a espiritualidade se fazem presentes na vida de muitas pessoas em todo mundo, dessa forma quando se é encontrado o indivíduo ou uma família que está passando por um processo de adoecimento, tratamento ou manutenção da saúde, no sentido do bem-estar físico-mental, a religiosidade e a espiritualidade também estarão presente neste momento. Assim, é possível discutir as interferências que a religiosidade e a espiritualidade causam na vida das pessoas, junto a saúde.
  A crença em divindades ou seres superiores a nós, mortais, sempre esteve presente em nossa sociedade. Desde a época antes da evolução da ciência, a crença em divindades e forças ocultas fez com que os enfermos, e os não enfermos, acreditassem que a situação em que se encontravam era devido a suas atitudes durante a vida, sejam elas boas causando o bem-estar físico-mental ou más, causando um desequilíbrio deste bem-estar, isso desde a antiguidade. Por ser uma boa explicação para o inexplicável ou a negação do explicável, esta crença ainda é muito presente e vem deixando largos resquícios na sociedade atual, para aquelas que possuem uma espiritualidade ou religiosidade.
  A interferência religiosa no processo saúde-doença se faz presente hoje em nossa sociedade principalmente na visão biomédica do processo de tratamento da doença, dessa maneira é possível analisar uma interferência positiva ou negativa, sobre esta visão biomédica.
  Para as pessoas que usam da religiosidade ou espiritualidade no processo de tratamento da doença, essa interferência sempre se apresenta de maneira positiva respeitando e olhando individualmente para cada religião ou crença religiosa.   
  A interferência religiosa no processo saúde-doença se dá no momento em que um indivíduo usa de sua religião ou sua espiritualidade para auxilio no tratamento de uma doença; na cura de uma doença; para mudar seus hábitos alimentares e higiênicos, para a melhoria e manutenção da sua saúde, assim também levando à prevenção de doenças. Seguindo o modelo biomédico da saúde estes são exemplos de interferência quando servem para ajudar ou para piorar o estado de saúde ou de doença em que uma pessoa se encontra.
  A religiosidade e espiritualidade interferem da maneira citada anteriormente, assim as pessoas que fazem parte de uma religião ou possuem uma espiritualidade usam estes artifícios alternativos ao modelo biomédico para complementar ou substituir este modelo. Estas pessoas buscam o auxílio de divindades para suprir suas necessidades, fugindo do aceitamento de uma doença explicada pelo modelo biomédico, para aceitar uma doença vista pelo modelo biomédico, para um maior conforto, consolo, e sentimento de alívio, que as religiões a espiritualidade e o poder do divino, podem promover.
  Dessa maneira se faz presente a interferência religiosa no processo saúde doença, quando uma religião ou uma espiritualidade servem de maneira substitutiva ou complementar a situações de saúde e de doença, podendo ser, positiva ou negativa para o modelo biomédico da saúde, e sempre positiva para cada religião e para cada crença espiritual, respeitando todas individualidades e coletividades destes grupos.

Referências:

Responsável pela publicação: Grupo 09 (Amanda Morais, Ravive Silvão)

Serviços de emergência

100 - Secretaria dos Direitos Humanos
  O Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos tem a competência de receber, examinar e encaminhar denúncias e reclamações, atuar na resolução de tensões e conflitos sociais que envolvam violações de direitos humanos, além de orientar e adotar providências para o tratamento dos casos de violação de direitos humanos, podendo agir de ofício e atuar diretamente ou em articulação com outros órgãos públicos e organizações da sociedade. As denúncias poderão ser anônimas ou, quando solicitado pelo denunciante, é garantido o sigilo da fonte das informações.









180 – Delegacia da Mulher
  Ele é a porta principal de acesso aos serviços que integram a rede nacional de enfrentamento à violência contra a mulher, sob amparo da Lei Maria da Penha, e base de dados privilegiada para a formulação das políticas do governo federal nessa área.







181 – Disque-Denúncia
  O Disque Denúncia 181, assume a missão de coletar em âmbito oficial as denúncias anônimas de todos os tipos de crimes, não mais apenas contra o tráfico de drogas. Estas denúncias são analisadas e encaminhadas aos diversos órgãos policiais, obedecendo um canal técnico, critérios e metodologia estabelecidos pela comunidade de inteligência dos diversos órgãos policiais que atuam no nosso Estado, possibilitando além da atuação policial a utilização destes dados para o planejamento de políticas de Segurança Pública. 










190 – Polícia Militar
  O telefone 190 da Polícia Militar é a forma rápida e eficaz para a sociedade solicitar amparo à Polícia Militar e comunicar 99 tipos de ocorrências e/ou roubo, furto em andamento, agressões e demais emergências.

191 – Polícia Rodoviária Federal
  A Polícia Rodoviária Federal (PRF) é uma instituição policial ostensiva federal brasileira, subordinada ao Ministério da Justiça e Cidadania (MJC), cuja principal função é garantir a segurança com cidadania nas rodovias federais e em áreas de interesse da União. Assim, combate as mais variadas formas de crimes nas rodovias federais do Brasil e também monitora e fiscaliza o trânsito de veículos, bens e pessoas.










192 – SAMU
  O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU 192 tem como objetivo chegar precocemente à vítima após ter ocorrido alguma situação de urgência ou emergência de natureza clínica, cirúrgica, traumática, obstétrica, pediátrica, psiquiátrica, entre outras, que possa levar a sofrimento, a sequelas ou mesmo a morte. Trata-se de um serviço pré-hospitalar, que visa conectar as vítimas aos recursos que elas necessitam e com a maior brevidade possível.











193 – Corpo de Bombeiros
  Serviço de emergência que realiza, combates a incêndios, resgates e ainda alguns outros serviços.







194 – Policia Federal
  A MISSÃO DA POLÍCIA FEDERAL foi assim declarada: “Exercer as atribuições de polícia judiciária e administrativa da União, a fim de contribuir na manutenção da lei e da ordem, preservando o estado democrático de direito.”











197- Policia Civil
Serviço de utilidade pública voltado para o registro de denúncias anônimas cuja apuração seja de competência da Polícia Civil.

198 – Policia Rodoviária Estadual

199 – Defesa Civil

Comentário: Estes são os principais serviços de emergência que estão à disposição da população brasileira, alguns apenas para orientações e denúncias e outros de participação ativa, efetiva e de extrema importância na vida de muitos.

Fontes:

Responsável pela publicação: Grupo 09 (Amanda Morais, Ravive Silvão)

VAMOS ASSISTIR?



Este filme espanhol é uma maravilhosa obra para quem gosta de refletir, ou seja, para os queridos leitores do blog. Mar adentro, produzido e dirigido por Alejandro Amenáber, em 2004, traz uma ótima reflexão sobre a eutanásia, um direito de decidir sobre a própria vida.

Responsável pela publicação: Grupo 08 (Eduardo Santiago, Rebeca Nascimento e Jamile Silva)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

TRANSEXUALIDADE E SAÚDE

Um assunto, que normalmente é marginalizado, é a transexualidade – da mesma forma que as próprias transexuais. Resolvi trazer esse conjunto de pensamentos, informações e reflexões por enxergar sua importância, e talvez provocar reflexões em vocês também. Uma confusão geralmente criada é sobre as definições de identidade de gênero e orientação sexual – o que, ao meu ver, servem apenas para um entendimento didático, mas que não tem lá grande importância na prática, devido à grande pluralidade humana que não se atém a rótulos. Em seguida, vem o estereótipo criado ao redor das transexuais e travestis (que não são a mesma coisa, diga-se de passagem), que deve ser entendido e descontruído. Por fim, temos o acesso à saúde por parte das pessoas transexuais. Mais especificamente, à cirurgia de transgenitalização, que tem grande um grande impacto na saúde dessas pessoas por diversos aspectos que vão muito, mas muito além do físico.
            Antes de tudo, vamos esclarecer que transexualidade relaciona-se à identidade de gênero, que “faz referência a como nos reconhecemos dentro dos padrões de gênero estabelecidos socialmente”, como o masculino e o feminino. Comportamentos masculinos e femininos são construções estabelecidas pela sociedade, informação afirmada pela ilustre Simone de Beauvoir quando ela diz “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”. Isso nada tem a ver com a orientação sexual, que se refere à forma com que nos relacionamos com os outros, tampouco com o sexo biológico, a genitália. Na maioria das vezes, pessoas que nascem com o sexo feminino, por exemplo, se reconhecem com o gênero feminino. São as cisgêneras. Porém, quando uma pessoa que nasceu com o sexo masculino, por exemplo, se identifica psicologicamente com o sexo feminino, temos uma pessoa transgênera. No caso apresentado, uma mulher transexual, que independe de cirurgia ou de tratamentos hormonais, tampouco de sexualidade. Afinal, a identificação de gênero acontece de forma psíquica, e não cirúrgica ou medicamentosa, e nem depende de uma relação com outrem.
            Apenas com essa breve e superficial definição, podemos observar que esse grupo de pessoas foge da “normalidade”, da hegemonia. E isso obviamente tem consequências. Qual é a imagem que você cria ao pensar em uma mulher transexual? Provavelmente uma garota de programa, que usa roupas vulgares e habita as esquinas das cidades, à noite, a espera de clientes. De pessoas incapazes, pecadoras, escórias da sociedade, que não têm vergonha e amor próprio, servindo de piada para os noticiários sensacionalistas, ou para rodas de conversa. Que são aberrações da natureza, que não deveriam existir. Que são monstruosidades. Deveriam morrer. Talvez não seja esse o nível do seu pensamento, mas esse é, infelizmente, o senso comum.
            É fato, muitas mulheres transexuais são, sim, prostitutas, mas será que todas elas queriam seguir esse caminho? Tiveram realmente uma escolha, ou outras oportunidades de emprego? Como será a relação delas, no dia a dia, com a família e com a sociedade? Será que a maioria delas têm família, ou foram abortadas tardiamente? Será que elas têm o mesmo direito que as pessoas cisgêneras? Quem se importa?
            E, por falar em direitos, vamos falar de saúde. Você sabia que o SUS realiza ciurgias de transgenitalização (erroneamente denominada cirurgia de mudança de sexo), de acordo com o Processo Transexualizador do Ministério da Saúde? Um grande passo, mas que apresenta enormes limitações e dificuldades de acesso a um serviço que as pessoas transexuais têm direito por serem cidadãs e contribuintes, como todas as outras pessoas. Antes de tudo, temos de ressaltar que existem apenas NOVE hospitais, limitados a SETE estados, que realizam o procedimento; quem deseja passar pela cirurgia necessita cumprir certas etapas, que podem ou não permitir a elegibilidade à cirurgia. A primeira delas é a terapia, de cerca de dois anos, com um psicólogo e um psiquiatra, que geralmente não estão preparados para lidarem com pessoas transexuais. Essa etapa é decisiva, porque é a análise desses profissionais que decide quem deve ou não se submeter ao processo. E onde está a autonomia das pessoas, o respeito ao seu projeto de felicidade e decisão do que fazer com o próprio corpo? Bem, caso a pessoa seja aprovada, ela entra na lista de espera dos hospitais, os nove já citados. Isso gera uma lista de espera que leva décadas, além de limitar o acesso a esses hospitais a pessoas que moram nos Estados específicos, ou que têm condições de acessá-los. E como fica a saúde mental dessas pessoas? Será que elas conseguem lidar com a essa situação, por tanto tempo, sem sofrerem nenhuma consequência? Dito isso, eu pergunto: até que ponto somos iguais perante a lei e até que ponto a saúde é, realmente, um direito de todos? Isso não fica claro com a marginalização de um grupo já marginalizado.
            Não precisamos fazer parte de uma minoria para nos incomodarmos com essas questões. Fato é que transexuais são desassistidas pelo Estado e maltratadas pela sociedade. Oportunidades são negadas por elas serem quem são e assumirem essa identidade e, de forma geral, quase ninguém se importa. Apesar das diferenças, independente de identidade de gênero, orientação sexual ou o que quer que seja, somos todos iguais, somos todos humanos. E devemos nos preocupar com a saúde e com as situações de vida dos nossos iguais – e não só dos nossos iguais.
            Eu sei, deixei muitas reflexões em aberto e muitas questões não respondidas, e que talvez nem tenham uma resposta precisa. Então, proponho a visualização de dois vídeos, extremamente informativos, feitos por duas mulheres transexuais. O primeiro traz Daniela Andrade, mulher militante pelos direitos das pessoas transexuais, que enfrenta a longa fila para a cirurgia de transgenitalização, analista de sistemas e extremamente bem informada, que traz questões de saúde e jurídicas. E Amanda Guimarães, que é Youtuber e difunde diversas informações sobre transexualidade, inclusive compartilhando sua própria experiência. E, apesar de o meu foco ter sido nas mulheres transexuais, os homens transexuais também existem e têm suas questões e devida importância. Mas esse assunto fica para outra discussão.
Responsável pela publicação: Grupo 08 (Eduardo Santiago, Rebeca Nascimento e Jamile Silva)

RACISMO AFETA A SAÚDE DA POPULAÇÃO NEGRA NO BRASIL

No Brasil, o racismo tornou-se um assunto bastante comentado pela TV e redes sociais, porém, em sua maioria das vezes, é tratado como um evento isolado de agressões ou intimidações sofridas por pessoas negras.
            Apesar de ser bastante apresentado, são poucos os debates na mídia sobre como o racismo afeta também a educação, a saúde e o trabalho de forma cotidiana em mais de 53% da população brasileira, número que representa a quantidade de negros e pardos, segundo os dados do IBGE, em 2014. São pessoas que possuem alta taxa de morbidade e mortalidade e menor acesso aos serviços de saúde, em comparação a população em geral e dentre outros dados que reforçam a dimensão da desigualdade racial e social no país.

Mas por que os negros têm um menor acesso à saúde em comparação a população em geral no Brasil?

            A população negra faz parte da maioria dos trabalhadores informais, maioria também dos residentes em regiões periféricas, vivendo sem saneamento básico ou cobertura da rede do SUS (Sistema Único de Saúde) em muitos lugares e compondo também as classes mais pobres do país. São fatores que contribuem com a incidência e prevalência de doenças e uma baixa qualidade de vida de grande parte dos cidadãos brasileiros.
            Além da precariedade no acesso à saúde de grande parte da população negra, a exposição ao racismo desde a infância afeta a saúde mental deste grupo que representa a maioria do povo brasileiro. E, de acordo com a psicóloga, psicoterapeuta e ativista do Movimento Negro Maria Lucia da Silva ‘’ Numa sociedade multicultural e racista, o contato constante com o “mundo branco” poderá criar-lhe transtornos emocionais devido às repetidas frustrações e falta de oportunidade e perspectiva para o futuro. [...] Essa ocorrência se deve às repetidas experiências de desvalorização da autoimagem, difundidas tanto pelas instituições como pelas relações interpessoais, e à interiorização do eu ideal europeu, branco’’ .O preconceito racial deixa marcas profundas na mente das vítimas e traz consequências que podem dificultar o crescimento e desenvolvimento social, visto que, desde criança ,os negros são expostos a desvalorização cultural nas escolas ,veem na mídia a falta de representatividade e presenciam ,muitas vezes, em instituições de saúde, a desvalorização dos seus corpos.
            Além da saúde mental, o racismo pode agravar os problemas físicos através da restrição do acesso aos serviços, ou um atendimento discriminatório, como a ideia de que os negros são mais resistentes a dor ou resistência de alguns profissionais de saúde em tocar numa pessoa negra, mesmo que o racismo e injurias raciais sejam crimes no Brasil.
 Estes estereótipos, unidos a dificuldade em reconhecer o problema, são fatores que contribuem para a prevalência do racismo que é naturalizado e institucional, isto é, ocorre também em diversas Instituições brasileiras, praticada por alguns profissionais. Ressaltando também a falta de programas e investimentos no combate à discriminação que são exemplos de negligência do Estado sobre o assunto.
            Por fim, o racismo é uma violência que afeta a qualidade de vida de milhares de brasileiros. Para combate-lo é necessária equidade, ou seja, o reconhecimento das diferenças e das desigualdades da população brasileira somado a uma gestão pública que possa mudar essa intolerável situação que causa problemas físicos e mentais a uma grande parcela dos cidadãos do Brasil.
E para você, o racismo existe ou não no âmbito da saúde? Já presenciou algum caso? Deixe nos comentários.

Referências:
Fonte dos dados: IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; Pesquisa das Características Étnico-raciais da População

Responsável pela publicação: Grupo 08 (Eduardo Santiago, Rebeca Nascimento e Jamile Silva)