terça-feira, 31 de janeiro de 2017

ENFERMEIROS (AS) E USO ABUSIVO DE DROGAS: COMPROMETENDO O CUIDADO DE SI E DO OUTRO.


Há estudos que apontam médicos e enfermeiros como mais suscetíveis à dependência de determinadas drogas devido à maior possibilidade de autoadministração, pois têm livre acesso a essas substâncias em seu cotidiano de trabalho, sendo responsáveis ainda pelo seu armazenamento e controle. Muitas vezes as drogas são utilizadas na tentativa de minimizar ou reverter a síndrome de desgaste profissional. Com isso desenvolvem outros desequilíbrios e infringem os preceitos éticos e estéticos da profissão, pois o efeito da droga altera o comportamento, o raciocínio lógico, a tomada de decisões e a execução de procedimentos especializados, colocando em risco a vida das pessoas sob seus cuidados e comprometendo a sua própria saúde.
Ainda se destacando entre eles os profissionais de enfermagem, que detêm os conhecimentos sobre os efeitos diretos e indiretos dessas substâncias e das consequências que o uso das drogas lícitas pode trazer para a sua saúde e para a sociedade. Em um estudo sobre o uso de drogas na enfermagem, identificou - se que a maioria dos usuários desenvolviam uma segunda jornada de trabalho no lar, não praticavam lazer e apresentavam sentimentos positivos em relação ao trabalho; todavia, consideravam o ambiente de trabalho estressante. Falavam que conheciam os efeitos dos psicofármacos e consideravam os problemas psíquicos o fator principal para o uso dos mesmos. Porém, relatavam que o motivo dos problemas eram a família dos sujeitos usarem psicofármacos, sendo que os ansiolíticos foram os mais usados, a maioria com prescrição médica.
Num estudo realizado em um hospital universitário para identificar o nível de estresse e os transtornos psicossomáticos auto atribuídos, constatou-se que os fatores desencadeadores de estresse foram: o controle excessivo por parte da instituição; dificuldades nas relações interpessoais; inobservância da ética pelos colegas; atividades rotineiras e repetitivas; excessivo número de pacientes; clima de sofrimento e morte; salários insuficientes; falta de lazer; falta de apoio e reconhecimento pela instituição entre outros. Os sintomas psicossomáticos predominantes foram: cansaço, tensão muscular, nervosismo, irritabilidade, dor lombar, ansiedade, tensão pré-menstrual, cefaleias, problemas de memória, depressão, entre outros. Diante desses resultados, observa-se a necessidade de se buscar estratégias para reduzir os fatores de estresse no trabalho, promovendo a saúde e qualidade de vida do trabalhador.


Comentário:
         A jornada de trabalho exaustiva vivida pelos profissionais da área de saúde não é nada novo, sabe-se a muito tempo que essa é uma área de atuação estressante e desgastante, principalmente para as enfermeiras, que recebem salários indignos enquanto exercem trabalhos pesados, nem ao menos existe um piso salarial para essas profissionais.
         Na tentativa de aliviar todas essas frustrações profissionais, e de certo modo pessoais, muitas (os) dessas (os) profissionais usam de meios indevidos e prejudiciais para sua saúde e de seus pacientes, começam a buscar alívio por meio do uso de drogas lícitas e ilícitas, seja as quais tem acesso no meio de trabalho, como antidepressivos e narcóticos, ou encontradas no meio social, álcool, maconha, cocaína, dentre outros.
Isso remete a uma reflexão sobre as condições de trabalho com carga horária excessiva, desrespeito seja por pacientes, por superiores ou colegas de trabalho e o que se deve fazer perante isso. Leva a indagar a importância de consolidar a lei das 30 horas semanais, a aprovação de um piso salarial e a valorização do profissional, reconhecer suas ações e compreender que a hegemonia (biomédico) não pode mais estar presente no ambiente de trabalho, colocando um profissional acima do outro.
         Não dá para continuar subentendendo essa realidade, são fatos comprovados e mais do que nunca se faz necessária a mudança desse cenário, atender as necessidades desses profissionais é pensar em toda a sociedade que precisa do atendimento realizado pelos mesmos e assim uma coisa vai levando a outra, é mudar algo pensando no geral. Além disso, é fundamental que haja parceria no ambiente de trabalho, muitas vezes os colegas percebem esses acontecimentos, mas se fazem indiferentes, ou por não quere expor o colega, ou a instituição, mas isso precisa mudar para que seja possível ajudar esses profissionais que estão fragilizados física e psicologicamente.

Responsável pela publicação: Grupo 05 (Monalisa Oliveira, Ruth Francielle, Samantha Rocha)

PESQUISANDO POR AI...

GRUPOS DE PESQUISAS OFERECIDOS NA ESCOLA DE ENFERMAGEM

É de conhecimento geral que a Universidade não é um local apenas de conhecimento interno ou cientifico, a Universidade é constituída de relações interpessoais entre os próprios alunos, e também por parte daquele estudante que transmite um pouco do seu conhecimento a comunidade, valorizando esse olhar do aluno para a comunidade, a universidade cria os tão famosos grupos de pesquisa, que são basicamente alunos reunidos em torno de um tema de afinidade em comum com orientação por parte de um docente que pretende investigar, estudar, refletir e auxiliar a comunidade de alguma maneira.

Esses grupos são de extrema importância para agregar um "peso" ao seu currículo, como para conhecimento pessoal mesmo, ter a certeza de que é aquela área que você quer seguir e tudo mais. Mas, para os que ainda não tem a mínima noção do que querem não se preocupem, na maioria deles é possível a entrada de maneira tranquila e caso você não se identifique, sair não é nenhum bicho de sete cabeças!

E a nossa escola de enfermagem não poderia ficar fora dessa não é mesmo?!

Então preparamos uma listinha dos grupos que estão disponíveis em nossa escola:

Grupos
Líderes
Site do grupo no CNPQ
ATIVAR - Atenção interdisciplinar no cuidado às afecções respiratórias e gestão de serviços de DRC
Maria Teresa Brito Mariotti de Santana e Carolina de Souza Machado
CRESCER
Climene Laura de Camargo e Marinalva Dias Quirino
Educação, Ética e Exercício da Enfermagem
Darci de Oliveira Santa Rosa e Josicelia Dumet Fernandes
GECEN - GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISA SOBRE O CUIDAR EM ENFERMAGEM
Álvaro Pereira e Adriana Valéria da Silva Freitas
GEM - Grupo de Estudos sobre Saúde da Mulher
Silvia Lúcia Ferreira e Edméia de Almeida Cardoso Coelho
GERIR/Núcleo de pesquisa em políticas, gestão, trabalho e recursos humanos em enfermagem e saúde coletiva
Cristina Maria Meira de Melo e Norma Fagundes
GISC - GRUPO INTERDISCIPLINAR SOBRE O CUIDADO A SAÚDE CARDIOVASCULAR
Fernanda Carneiro Mussi
Grupo de Pesquisa em Sexualidades, Vulnerabilidades, Drogas e Gênero
Mirian Santos Paiva e Jeane Freitas de Oliveira
NESPI - NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISA DO IDOSO
Tania Maria de Oliva Menezes
Violência, Saúde e Qualidade de Vida
Normélia Maria Freire Diniz e Maria do Rosário de Menezes
Ps: Alguns dos grupos que estão presentes no site e não na publicação não estão ativos, por isso foram retirados.

Fonte:
Escola de enfermagem, núcleos e grupos, Disponível em: <http://www.enfermagem.ufba.br/index.php?/pesquisa_nucleos>. Acesso em: 27 de janeiro de 2017.

Responsável pela publicação: Grupo 05 (Monalisa Oliveira, Ruth Francielle, Samantha Rocha)

TRATAMENTO DE QUEIMADURA COM COURO DE PEIXE

Isso mesmo caros leitores vocês não leram errado!

Essa pesquisa com curativo biológico é realizada desde 2014, mas a aplicação em pessoas se iniciou no ano de 2016 e possui vantagens com relação ao tratamento usual.

O hospital Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza, já utiliza o método de tratamento de queimadura com pele de peixe em 56 pacientes. O tratamento com o "curativo biológico" é aplicado em pessoas desde 2016, no Núcleo de Queimados da unidade.

Uma das pacientes foi Letícia Basiliano, que sofreu uma queimadura de 3º grau com gasolina em 2016. A mãe da paciente aprovou o método: “Seria urgente uma reconstituição de pele na barriga da minha filha. E isso nos causava muito sofrimento.No começo ficamos apreensivas quanto ao resultado, mas graças a esse tratamento não foi necessário uma cirurgia de enxerto de pele”.

O tratamento é desenvolvido há dois anos no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da Universidade Federal do Ceará (UFC), com participação de pesquisadores do Ceará, Pernambuco e Goiás. De acordo com os pesquisadores, a curativo com base em animais aquáticos é inédito no mundo.

O coordenador da pesquisa, médico Edmar Maciel, explica que além, da eficiência, a pele da tilápia reduz os custos do atendimento. "Trata-se de um curativo biológico temporário com o objetivo de fechar a ferida evitando a contaminação de fora para dentro, a desidratação e as trocas diárias de curativos, que ocasionam desconforto e dor aos pacientes e,em consequência reduz os custos do tratamento". O procedimento é utilizado em queimaduras de 2º grau profundo e 3°grau.

Ainda de acordo com os pesquisadores, as primeiras etapas do estudo mostraram que a utilização clínica do pele da tilápia era propícia, tendo em vista as semelhanças do material com a pele humana, como grau de umidade, alta qualidade de colágeno e resistência.

Testes em animais terrestres também descartaram possíveis riscos de contaminação com a técnica que, de acordo com os realizadores, tem mais poder de cicatrização que os métodos convencionais e reduz a sensação de desconforto, dor, perda de líquido e ocorrência de infecção.

TILÁPIA CONTRA QUEIMADURA

Couro é testado em estudo pré-clínico



De onde vem
Os peixes usados no estudo são cultivados em um açude em Jaguaribara (CE), a 250 km de Fortaleza

Retirada da pele
De cada peixe é possível extrair 400 cm2 de pele. O material removido é lavado para a retirada de resquícios de tecidos musculares

Limpeza
A pele da tilápia é colocada em banho-maria dentro de uma solução para a descontaminação


Radiação
O couro é armazenado em envelopes esterilizados. No Instituto de Pesquisas em Energias Nucleares da USP, ele é irradiado por cobalto 60, que libera ondas eletromagnéticas capazes de exterminar organismos vivos

Testes
Em testes com 40 camundongos, o couro da tilápia provocou a cicatrização em tempo igual ao de pomadas disponíveis e também amenizou as dores, diminuiu a perda de líquido e reduziu o risco de infecção

Comentário: Um tratamento inovador, de resposta surpreendente e com um material, que o Brasil como pioneiro nessa tecnologia, possui em grande abundância, traz um novo sentimento à aquelas pessoas que passaram por um trauma tão grande que é o trauma de ser queimado, esse novo método traz consigo a emoção da inovação e calma de um método que é eficaz e menos doloroso do que o tradicional.
Ah, pessoal! Pra quem tiver interesse em ver como fica na pele humana deixarei um link aqui em baixo, pois não quis colocar a imagem direta por respeito as pessoas que podem achar a imagem forte.


Fonte:
Folha de São Paulo, Cientistas Brasileiros Testam couro da tilápia contra queimaduras, Disponível em:  <http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2016/03/1755831-cientistas-brasileiros-testam-couro-da-tilapia-contra-queimaduras.shtml>. Acesso em: 29 de janeiro de 2017
Globo.com, Curativo de pele de tilápia é usado em 30 pacientes queimados no Ceará, Disponível em: <http://g1.globo.com/ceara/noticia/2016/11/curativo-de-pele-de-tilapia-e-usado-em-30-pacientes-queimados-no-ceara.html>. Acesso em: 29 de janeiro de 2017
Globo.com, Tratamento de queimadura com pele de peixe é usado em 56 pacientes, Disponível em: <http://g1.globo.com/ceara/noticia/2017/01/tratamento-de-queimadura-com-pele-de-peixe-e-usado-em-56-pacientes.html> Acesso em: 29 de janeiro de 2017

Responsável pela publicação: Grupo 05 (Monalisa Oliveira, Ruth Francielle, Samantha Rocha)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Saúde Mental dos Profissionais de Enfermagem

COMENTÁRIO: As relações do indivíduo com o trabalho influenciam sua saúde e, dependendo de seu nível de envolvimento com o trabalho, impõem adaptações ao estilo de vida e mecanismos de enfrentamento que podem interferir em sua saúde mental. Os enfermeiros, médicos e outras profissões de saúde estão entre as mais estressantes do mundo. Lidando diariamente com as vidas a serem salvas, com cargas horárias elevadas e pouquíssimo tempo de descanso e lazer, esses profissionais vivem uma rotina dificilmente saudável. Por isso, é necessário atenção e promoção da saúde mental desses profissionais.

ESTRESSE E IMPLICAÇÕES PARA O TRABALHADOR DE ENFERMAGEM


As relações do indivíduo com seu trabalho acabam por influenciar no estilo de vida dos profissionais que cuidam. Deve-se lembrar de que para que o cuidado prestado aos pacientes seja adequado são necessários ambiente, recursos e condições dignas de trabalho para os profissionais de enfermagem desenvolvam suas atividades laborais.

O trabalhador de enfermagem geralmente possui mais de um vínculo empregatício, deve ser considerado o pouco tempo destinado ao lazer e, como a maioria dos trabalhadores pertence ao gênero feminino, a jornada de trabalho doméstico também deve ser considerada na análise da qualidade de vida desses profissionais.

O estilo de vida frenético decorre; muitas vezes, de necessidades financeiras e manutenção de um padrão social, fazendo com que o (a) trabalhador (a) estabeleça para si um ritmo rigoroso de atividades envolvendo os vínculos empregatícios e a vida doméstica, desta forma, propiciando o estresse. Soma-se a isso, o fato de trabalhar em situações adversas impostas pela profissão que impõe grande demanda de atividades variadas - em turnos diferentes - pode afetar o desempenho físico, gerar distúrbios mentais, neurológicos, psiquiátricos e gastrintestinais como comentam Costa, Morita e Martinez (2000, p.554).

Atualmente, há uma preocupação com a saúde mental e bem-estar dos trabalhadores da área da saúde. É crescente o afastamento permanente do trabalho por doenças mentais tende, em um futuro próximo, a superar os afastamentos por doenças cardiovasculares e osteomusculares (CORGONZINHO, 2002).

A literatura descreve ocorrência de transtornos mentais comuns (TMC) em profissionais de enfermagem. Estudos epidemiológicos realizados na área da saúde do trabalhador evidenciaram associação entre a ocorrência de TMC e trabalho exercido por esses profissionais, também com estudantes do curso de graduação em enfermagem e com aspectos relacionados ao gênero feminino. Tais estudos evidenciam a vulnerabilidade peculiar da classe.

No Brasil, a maior representação de profissionais de enfermagem encontra-se nos hospitais, seguindo o modelo assistencialista do setor saúde, atendendo ao modelo biológico curativista. Os fatores ligados ao ambiente, ergonomia e o perigo constante o risco biológico justificam a tensão e ansiedade os quais se tornam mais evidentes, na medida em que encontra-se o “cuidar” da equipe de enfermagem voltado para pacientes com doenças crônicas, traumas agudos e enfermidades terminais, ou com grave risco de morte.

Esse contato constante com pessoas fisicamente doentes ou lesadas, adoecidas gravemente, com frequência, impõe um fluxo contínuo de atividades que envolvem a execução de tarefas agradáveis ou não, repulsivas ou aterrorizadoras, muitas vezes que requerem para seu exercício, ou adequação prévia à escolha de ocupação, ou um exercício cotidiano de ajustes e adequações de estratégias defensivas para o desempenho das tarefas (PITTA, 1994, p.62).

Tais fatores, mencionados por Ana Pitta, além de gerar as defesas psicológicas, impõem demandas da mesma natureza e acarretam o estresse crônico, o qual pode agir como potencial contribuinte para agravos e danos à saúde do trabalhador.

A legislação previdenciária brasileira (lei n. 3048 de 06/05/1999) reconhece estresse e a depressão como doenças do trabalho o que podem vir a se tornar um grave problema de saúde pública. Fato relevante, na medida em que o trabalho dos profissionais de enfermagem é referido; por diversos autores, como estressante, destacada como uma das profissões passíveis de desenvolvimento da síndrome de Burnout ―fase mais avançada do estresse que leva ao esgotamento― a qual se refere a um tipo de estresse ocupacional e institucional com predileção para profissionais que mantêm relação constante e direta com outras pessoas, principalmente, quando esta atividade é considerada de ajuda como afirma Ballone (2004).

De acordo com Murofuse, Abranches e Napoleão (2005, p. 259) a enfermagem foi classificada pela Health Education Authority como a quarta profissão mais estressante, no setor público, que vem tentando profissionalmente afirmar-se para obter maior reconhecimento social.
Percebe-se que inserido nesse ambiente estão as relações interpessoais e de trabalho que impõe as demandas psicológicas na execução de tarefas e do controle sobre seu trabalho, bem como o desgaste psicológico podendo levar a distúrbios de ordem psíquica. Lautert, Chaves e Moura (1999) ressaltam que a falta de controle sobre o trabalho e responsabilidade excessiva produzem conseqüências psicológicas e somáticas negativas para o profissional de enfermagem. As autoras apontam que, no campo hospitalar, o enfermeiro pode desenvolver alterações de saúde de ordem imunológica, músculo-articulares, cardiovasculares e gastrintestinais.

As demandas de ordem psicológica, assim como o grau de controle que o trabalhador aplica no desenvolvimento de suas atividades laborais são atualmente exploradas no Brasil. Durante vários anos, sob de diversas perspectivas, foram identificadas as conseqüências da organização do trabalho e sua relação com estresse saúde e bem-estar do trabalhador. A magnitude desse fenômeno e impacto sobre a economia também podem ser evidenciados (KARASEK; THEORELL, 1990, CREED, 1993, NORIEGA et al, 2000). Araújo e cols. (2003) em estudo com profissionais de enfermagem na Bahia, encontrou associação entre níveis altos de demanda psicológica no trabalho e prevalências de TMC, assim como também esteve associado o nível baixo de controle sobre as tarefas desenvolvidas na instituição hospitalar com as desordens psíquicas.

Outro fator importante que se encontra no ambiente hospitalar de trabalho é a falta de aparato técnico e a própria organização do espaço físico como refere Silvino (2002) relatando os problemas de uma unidade pública universitária no estado do Rio de Janeiro. No setor privado, pode ser citado o completo aparato técnico que, muitas vezes, afasta o profissional do cuidado direto ao cliente e o aproxima da máquina. O excesso de equipamentos para monitoramento impõe mais atenção e obrigação do domínio das funções eletrônicas e o esquecimento de que a tecnologia deveria propiciar melhor qualidade da atenção ao cliente e contribuir para que o profissional torne-se mais presente e prestativo à sua clientela, já que a tecnologia muitas vezes poupa tempo. Em suma, o trabalho pode ser percebido como fonte de satisfação; entretanto, quando rompe os limites da resistência física e psicológica, pode contribuir para agravos à saúde do trabalhador de enfermagem. A classe descrita aqui acaba sendo vítima da estrutura organizacional do trabalho, das demandas psicológicas necessárias para o desenvolvimento de suas tarefas, e os riscos químicos, físicos e biológicos há muito tempo descritos e conhecidos pelos estudiosos da área. Além de se levantar a discussão sobre as medidas para promoção da saúde do trabalhador das grandes instituições hospitalares, ressalta-se também o foco de atenção dos estudos científicos da área que alertam para a relevância da saúde mental do trabalhador. Esta é a primeira a ser afetada, por sua vez, mais tarde o corpo apenas sinaliza as consequências.

REFERÊNCIA:
SILVA, Jorge Luiz Lima; MELO, Enirtes Caetano Prates. Estresse e Implicações Para O Trabalhador De Enfermagem. Promoção da Saúde, v.2, n.2.p.16-18. 2006. Disponível em <http://www.uff.br/promocaodasaude/estr.trab.pdf>. Acesso em 22 de Janeiro de 2017.

Responsável pela publicação: Grupo 04 (Cassiane Viana, Elis Neiva, Priscilla Teixeira).

JANEIRO BRANCO

COMENTÁRIO: Iniciativas como essa são de grande importância ao se tratar de uma questão ainda pouco comentada devido aos preconceitos em volta da doença mental. O estresse e todas as complicações que chegam com ele, são mais comuns do que se imagina. Com rotinas de trabalho intensas e longas, profissionais precisam de um tempo para equilibrar a mente e manter-se são para novas jornadas diárias. A conscientização dessa necessidade é importante para a promoção da saúde desses indivíduos que antes de serem profissionais, são seres humanos e precisam cuidar de si para cuidar do outro.


Campanha Janeiro Branco discute importância do cuidado com saúde mental:  ações organizadas por grupo de psicólogos busca mostrar a importância do autoconhecimento e do cuidado com a mente e emoções para o bem estar

Romper com os preconceitos e convidar a população para discutir a importância do cuidado com saúde mental para ter mais felicidade e qualidade de vida são os principais objetivos da campanha Janeiro Branco que ocorre em Curitiba e em diversas outras cidades do país durante o primeiro mês do ano.

Com o slogan “Quem cuida da mente, cuida da vida!”, o projeto tem como meta aproveitar esse período do ano, no qual as pessoas mudam hábitos e repensam suas atitudes, para incentivar a reflexão e planejamento de ações em prol da felicidade em suas vidas ao longo do ano. Outro objetivo é desmistificar a ideia de que a busca por profissionais de Psicologia estaria apenas ligado ao tratamento de doenças, alertando para a importância deste cuidado para a promoção da saúde. O movimento conta com o apoio do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR).
Para levar as informações e chamar a atenção da população para o tema, os profissionais paranaenses estão organizando uma caminhada no dia 22 de janeiro, a partir das 10 horas, no Parque Barigui.

A campanha surgiu em Minas Gerais, idealizada pelo psicólogo Leonardo Abrahão, que defende a necessidade de uma discussão maior do tema pela sociedade, como forma de ajudar a combater e prevenir diversos problemas que envolvem os conceitos de saúde mental, como a depressão, o suicídio, uso abusivo de drogas, alcoolismo, entre outros.

“Com a campanha Janeiro Branco pretendemos difundir um conceito ampliado de saúde mental e saúde emocional, como um estado de equilíbrio sem o qual não é possível viver satisfatoriamente em sociedade. Escolhemos o mês de janeiro para mobilização pelo fato de que, em geral, no início do ano as pessoas estão predispostas a pensar sobre as suas vidas em diversos aspectos, e a cor branca porque queremos incentivá-los a desenhar novas possibilidades”, pontua Abrahão.

Para a psicóloga Mariana Singeski (CRP-08/19674), uma das três articuladoras da campanha em Curitiba (juntamente com Silvia Galindo (CRP-08/18458) e Marcia Silveira (CRP-08/19384)), é importante falar sobre o tema, pois a saúde mental muitas vezes ainda é alvo de preconceito. “A nossa luta é para que a população entenda que a mente comanda tudo. A caminhada tem o objetivo de unir as pessoas em torno desta causa”, diz.

Outros detalhes sobre a programação podem ser encontrados em:



REFERÊNCIA:

Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR). Campanha Janeiro Branco discute a importância do cuidado com a saúde mental. Janeiro de 2017. Disponível em: http://paranashop.com.br/2017/01/campanha-janeiro-branco-discute-importancia-do-cuidado-com-saude-mental/>. 

Responsável pela publicação: Grupo 04 (Cassiane Viana, Elis Neiva, Priscilla Teixeira).

COMO LIDAR COM A MORTE?

A literatura tem os profissionais de saúde como pessoas despreparadas para lidar com as questões relacionadas à morte e ao processo de morrer. Tais assuntos tendem a ser menos importantes em instituições de saúde, tal fato acontece porque a imagem do hospital é vinculada a um local de cura, local este em que todos que o procuram têm em si a esperança de sair curado.

  • A morte na literatura:

- Período Clássico: A religião era politeísta, fato que ajudou para que as pessoas enxergassem a morte como algo desvinculado da espiritualidade. Neste período a morte representava o fim, o deixar de existir não era encarado como preocupação, mas sim como conseqüência.

- Período Medieval: Com a queda do Império Romano, e tendo como religião o Cristianismo, a mentalidade das pessoas sofreu mudanças extremas. O fato de morrer agora tinha um viés espiritualizado, pois a alma passou a fazer parte do imaginário da população e a morte passou a ser vista como julgamento.

- Renascimento: A sociedade ainda sofria influência do Cristianismo, mas já possuía ideias sobre liberdade. Luis Vaz de Camões enxergava a morte como uma ameaça que deveria ser temida e vencida.

- Barroco: Surgiu no meio da revolta entre a cisão da Igreja e o surgimento do Calvinismo e Protestantismo. Junto com o nascimento do Barroco começou a enraizar no imaginário das pessoas o desejo de morrer. A morte se contrapunha a vida, nos poemas a morte era vista com medo, mas que deveria estar ali.  As alusões eram nítidas, regada a melancolia e pessimismo.

- Arcadismo: Morte sutil, a qual quase nunca figurava. Isto se deve ao avanço das ciências e filosofia, a burguesia começa a acreditar no aproveitamento da vida.

- Romantismo/ Romance Gótico: A morte possuía traços da Idade Média, Barroco e Arcadismo. O fato de morrer passou a ser visto como forma de fuga, libertação do mundo imperfeito para um mundo idealizado.

Ordena Amor que Morra, e Pene Juntamente

Como fizeste, ó Porcia, tal ferida?
Foi voluntária, ou foi por inocência?
É que Amor fazer só quis experiência
Se podia eu sofrer, tirar-me a vida?

E com teu próprio sangue te convida
A que faças à morte resistência?
É que costume faço da paciência,
Porque o temor morrer me não impida.

Pois porque estás comendo com fogo ardente,
Se a ferro te costumas? É que ordena
Amor que morra, e pene juntamente.

E tens a dor do ferro por pequena?
Si, que a dor costumada não se sente,
E não quero eu a morte sem a pena.

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos" 
Responsável pela publicação: Grupo 04 (Cassiane Viana, Elis Neiva, Priscilla Teixeira).

Processo de Morte e Morrer

Neste processo o enfermeiro é visto como o profissional que presta cuidados direto ao paciente interage com ele e está em contato diário com o paciente, além de dever transmitir segurança a toda equipe e familiares. Dessa forma a enfermagem deve assistir o paciente holisticamente, abrangendo suas necessidades físicas, emocionais, social e espiritual.
Raquel Santos Lima- Depto. De Enfermagem UEMA
Magnólia de Jesus Souza Magalhães – Profa. Ma. Orientadora – Depto. de Enfermagem- UEMA
De acordo com a pesquisa feita no Hospital Geral Municipal de Caxias , de fevereiro a março de 2013, em que 25 enfermeiros participaram conclui- se que:
O processo de morte e morrer é formado a partir de uma vivência diária do enfermeiro, para este tal processo significa amplamente como algo natural, que faz parte da vida dos seres humanos, e que um dia todos nós passaremos por esta etapa, a qual faz parte da vida.
Com a vivência da morte de um paciente, muitos sentimentos foram percebidos, como impotência, perda e tristeza. Outros profissionais preferem não demonstrar sentimentos e tendem a não se envolver muito, pois precisam de força para apoiar a família do paciente.
A morte de pacientes mais idosos ou com doença terminal é mais aceita, pois faz parte do percurso da vida, mas foi constatado que muitos enfermeiros se sentem despreparados, pois encaram como o inicio de uma vida, tal fato torna muitas vezes mais complicado o enfrentamento dos enfermeiros no processo de morte e morrer.
A pesquisa demonstrou que existe a necessidade precisam estar preparados para receber e cuidar dessas pessoas e de suas famílias, pois precisa compreender as reações e comportamentos apresentados por cada um.

“Morremos de morte igual, mesma morte Severina: que é a morte que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia (de fraqueza e de doença é que a morte Severina ataca em qualquer idade, e até gente não nascida).”                

                                                         João Cabral de Melo Neto

DIREITOS DO PACIENTE A LUZ DA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

(31) O paciente tem direito a atendimento humano, atencioso e respeitoso, por parte de todos os profissionais de Saúde. Tem direito a um local digno e adequado para seu atendimento;
(32) O paciente tem direito a morte digna e serena, podendo optar ele próprio ( desde que lúcido), a família ou responsável por local ou acompanhamento, e ainda se quer ou não uso de tratamentos dolorosos e extraordinários para prolongar a vida;
(33) O paciente tem direito a dignidade e respeito, mesmo após a morte. Os familiares ou responsáveis devem ser avisados imediatamente após o óbito;
(34) O paciente tem direito a não ter nenhum órgão retirado de seu corpo sem sua prévia aprovação;

Fontes:
http://www.scielo.br/pdf/tce/v23n2/pt_0104-0707-tce-23-02-00400.pdf
Responsável pela publicação: Grupo 04 (Cassiane Viana, Elis Neiva, Priscilla Teixeira).

VALORIZAÇÃO DO TRABALHO DE SAÚDE MENTAL NO ATO DE CUIDAR

Atualmente, dentro do campo da Saúde Mental, é preconizada a valorização do trabalhador de saúde mental na produção do ato de cuidar, onde se atribui ao enfermeiro características ímpares como: o cuidado, o conhecimento, a atenção minuciosa, a compreensão e o medo. Dessa maneira, o trabalho de enfermagem em saúde mental pode ser considerado desgastante “devido às situações adversas como o sofrimento decorrente do adoecimento, a proximidade da morte de clientes e o desempenho de atividades consideradas repulsivas, desgastantes e atemorizadoras”, parafraseando Bianchini (1999). Nesse sentido, cabe ao profissional enfermeiro cuidar de indivíduos adoecidos e promover o seu bem-estar geral. Assim, o envolvimento dos enfermeiros que trabalham em atividades específicas de saúde mental acaba sendo muito intenso a ponto dos mesmos não identificarem suas vulnerabilidades e sua saúde mental, ou quando o fazem, deixam-nas de lado e, com isso, tornam-se mais expostos aos efeitos negativos do estresse e de outros agravantes que podem gerar neles problemas de saúde mental (BRITTO, 2006).

                           Murta (2009) ressalta que “cada vez mais, o conhecimento em saúde mental torna-se necessários a todos os profissionais da área da saúde, principalmente para a enfermagem, pois hoje, com todas as mudanças ocorridas no cenário atual das Políticas de Saúde Mental Nacional e Internacional vivencia-se uma realidade diferente de algumas décadas atrás, em que o doente mental, não está único e exclusivamente dentro dos hospitais especializados em psiquiatria, mas sim, ocupam todos os serviços de saúde instituídos na comunidade”.

Dados Importantes:

• 3% da população geral sofre com transtornos mentais severos e persistentes;
• mais de 6% da população apresenta transtornos psiquiátricos graves decorrentes do uso de álcool e outras drogas;
• 12% da população necessita de algum atendimento em saúde mental, seja ele contínuo ou eventual;
• 2,3% do orçamento anual do SUS é destinado para a Saúde Mental.
Desafios:
• Fortalecer políticas de saúde voltadas para grupos de pessoas com transtornos mentais de alta prevalência e baixa cobertura assistencial;
• Implementar uma política de saúde mental eficaz no atendimento às pessoas que sofrem com a crise social, a violência e desemprego
• Consolidar e ampliar uma rede de atenção de base comunitária e territorial promotora da reintegração social e da cidadania;
• Aumentar recursos do orçamento anual do SUS para a Saúde Mental.

Comentário : As dificuldades enfrentadas por esses profissionais no exercício de sua profissão como já pontuamos em outros temas contribui de forma negativa no agravo a saúde mental, refletindo na má execução de suas tarefas e na incidência dos erros na Enfermagem.

Fonte:
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-11682008000100006

Responsável pela publicação: Grupo 04 (Cassiane Viana, Elis Neiva, Priscilla Teixeira).

Sugestão de filme:

Uma lição de vida (Wit, 2001)











A professora Vivian Bearing, especialista na obra do poeta John Donne, passou a vida adulta encarando religião e morte como simples questões literárias. Diagnosticada com câncer no ovário em estágio avançado e enfrentando a morte na vida real, ela reflete sobre sua vida e seu trabalho.


Fontes:

Responsável pela publicação: Grupo 04 (Cassiane Viana, Elis Neiva, Priscilla Teixeira).