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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

ENFERMEIROS (AS) E USO ABUSIVO DE DROGAS: COMPROMETENDO O CUIDADO DE SI E DO OUTRO.


Há estudos que apontam médicos e enfermeiros como mais suscetíveis à dependência de determinadas drogas devido à maior possibilidade de autoadministração, pois têm livre acesso a essas substâncias em seu cotidiano de trabalho, sendo responsáveis ainda pelo seu armazenamento e controle. Muitas vezes as drogas são utilizadas na tentativa de minimizar ou reverter a síndrome de desgaste profissional. Com isso desenvolvem outros desequilíbrios e infringem os preceitos éticos e estéticos da profissão, pois o efeito da droga altera o comportamento, o raciocínio lógico, a tomada de decisões e a execução de procedimentos especializados, colocando em risco a vida das pessoas sob seus cuidados e comprometendo a sua própria saúde.
Ainda se destacando entre eles os profissionais de enfermagem, que detêm os conhecimentos sobre os efeitos diretos e indiretos dessas substâncias e das consequências que o uso das drogas lícitas pode trazer para a sua saúde e para a sociedade. Em um estudo sobre o uso de drogas na enfermagem, identificou - se que a maioria dos usuários desenvolviam uma segunda jornada de trabalho no lar, não praticavam lazer e apresentavam sentimentos positivos em relação ao trabalho; todavia, consideravam o ambiente de trabalho estressante. Falavam que conheciam os efeitos dos psicofármacos e consideravam os problemas psíquicos o fator principal para o uso dos mesmos. Porém, relatavam que o motivo dos problemas eram a família dos sujeitos usarem psicofármacos, sendo que os ansiolíticos foram os mais usados, a maioria com prescrição médica.
Num estudo realizado em um hospital universitário para identificar o nível de estresse e os transtornos psicossomáticos auto atribuídos, constatou-se que os fatores desencadeadores de estresse foram: o controle excessivo por parte da instituição; dificuldades nas relações interpessoais; inobservância da ética pelos colegas; atividades rotineiras e repetitivas; excessivo número de pacientes; clima de sofrimento e morte; salários insuficientes; falta de lazer; falta de apoio e reconhecimento pela instituição entre outros. Os sintomas psicossomáticos predominantes foram: cansaço, tensão muscular, nervosismo, irritabilidade, dor lombar, ansiedade, tensão pré-menstrual, cefaleias, problemas de memória, depressão, entre outros. Diante desses resultados, observa-se a necessidade de se buscar estratégias para reduzir os fatores de estresse no trabalho, promovendo a saúde e qualidade de vida do trabalhador.


Comentário:
         A jornada de trabalho exaustiva vivida pelos profissionais da área de saúde não é nada novo, sabe-se a muito tempo que essa é uma área de atuação estressante e desgastante, principalmente para as enfermeiras, que recebem salários indignos enquanto exercem trabalhos pesados, nem ao menos existe um piso salarial para essas profissionais.
         Na tentativa de aliviar todas essas frustrações profissionais, e de certo modo pessoais, muitas (os) dessas (os) profissionais usam de meios indevidos e prejudiciais para sua saúde e de seus pacientes, começam a buscar alívio por meio do uso de drogas lícitas e ilícitas, seja as quais tem acesso no meio de trabalho, como antidepressivos e narcóticos, ou encontradas no meio social, álcool, maconha, cocaína, dentre outros.
Isso remete a uma reflexão sobre as condições de trabalho com carga horária excessiva, desrespeito seja por pacientes, por superiores ou colegas de trabalho e o que se deve fazer perante isso. Leva a indagar a importância de consolidar a lei das 30 horas semanais, a aprovação de um piso salarial e a valorização do profissional, reconhecer suas ações e compreender que a hegemonia (biomédico) não pode mais estar presente no ambiente de trabalho, colocando um profissional acima do outro.
         Não dá para continuar subentendendo essa realidade, são fatos comprovados e mais do que nunca se faz necessária a mudança desse cenário, atender as necessidades desses profissionais é pensar em toda a sociedade que precisa do atendimento realizado pelos mesmos e assim uma coisa vai levando a outra, é mudar algo pensando no geral. Além disso, é fundamental que haja parceria no ambiente de trabalho, muitas vezes os colegas percebem esses acontecimentos, mas se fazem indiferentes, ou por não quere expor o colega, ou a instituição, mas isso precisa mudar para que seja possível ajudar esses profissionais que estão fragilizados física e psicologicamente.

Responsável pela publicação: Grupo 05 (Monalisa Oliveira, Ruth Francielle, Samantha Rocha)

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

SINDICATO DOS ENFERMEIROS DO ESTADO DA BAHIA

História do SEEB- Resistindo em prol da valorização da Enfermagem.

O Sindicato dos Enfermeiros do Estado da Bahia (SEEB) nasceu em 06 de junho de 1980, a partir da Associação Profissional de Enfermeiros da Bahia. Nesta época os Sindicatos eram vinculados ao Ministério do Trabalho e a Delegacia do Trabalho da Bahia. A outorga da Carta Sindical expedida pelo Ministro do Trabalho foi o passo para a criação do Sindicato, passo esse que foi dado pela então presidente da Associação dos Enfermeiros, Maria Olinda.

Neste período, o Brasil vivia uma ditadura militar e o Sindicato enfrentou as dificuldades impostas pela situação política na época. Edelita Araújo, a primeira presidente do SEEB relata que neste período conseguir Enfermeiros (as) para compor a única chapa concorrente à eleição, conscientizar a categoria e enfrentar os donos de hospitais privados foram algumas das principais dificuldades enfrentadas. “Nesses momentos observávamos que os colegas davam sinais de temer nos receber, muitas vezes sob olhares desconfiados dos diretores e até certa hostilidade de sua parte”, afirma Edelita.

Uma das primeiras e mais ousadas ações do SEEB foi uma greve dos profissionais da saúde do Estado da Bahia. Organizada juntamente com outros Sindicatos e Associações, a paralisação teve o intuito de parar um projeto que, na época, aumentava o salário dos médicos e deixava estagnado o salário dos demais profissionais. Juntamente com os Assistentes Sociais, Nutricionistas e as categorias que ainda não possuíam Sindicatos, o projeto foi parado e os trabalhadores foram incluídos com equiparação aos médicos.

O Sindicato foi ganhando forma e se moldando, no período de 1984 a 1987, o Brasil já estava vivendo um período de luta pela democracia e o início do movimento das Diretas Já! (pela eleição direta do Presidente da República). As lutas gerais iriam ganhando força e o SEEB, ao lado de outras entidades, participava ativamente dos movimentos sociais. Segundo acredita Cristina Melo, presidente do SEEB neste período, “o nosso Sindicato, creio, se não falha a minha péssima memória, foi o 3º a se organizar no Brasil, na nossa profissão”, alega. Esta foi a segunda gestão, portanto o movimento ainda era embrionário. Poucos (as) Enfermeiros (as) se interessavam por movimentos políticos, mesmo aqueles que compunham a diretoria, e a luta ainda não tinha muita força.

No triênio de 1987 a 1990, o Brasil já tinha saído da ditadura e vivia um período de democracia, porém a crise inflacionária assolava todos os setores e conseguir com que os profissionais da Enfermagem se unissem à luta não foi uma tarefa fácil. “Na rede pública de saúde, os profissionais sempre tiveram medo de perder o emprego, mas mesmo assim nós apoiamos uma greve do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS), puxamos uma greve de todas as categorias profissionais de saúde através do Conselho das Entidades de Saúde, exigindo melhores condições de trabalho e aumento salarial”, afirma Juçara Carneiro, terceira presidente do Sindicato. 
Neste período a principal pauta do SEEB era a isonomia salarial, porém outra lutas, como 30 horas e melhores condições de trabalho, também iam ganhando força.

Ao final do mandato de José Lucimar (triênio 1990/93) e início do mandato de Lúcia Duque (1994/2002), o SEEB conseguiu o direito ao repasse da contribuição sindical. Durante o segundo triênio e o terceiro, o Sindicato passou por momentos de grande dificuldade financeira, sem conseguir se manter, tiveram que ocupar um espaço cedido pela ABEn-Bahia, no prédio que funcionava a entidade.

Em 1995, mandato de Lúcia Duque, os acordo e convenções coletivas entraram na pauta, e assembleias gerais começaram a ser feitas para que os (as) Enfermeiros (as) tomassem conhecimento das pautas de negociação. Foi neste ano que começaram as negociações com o Sindicato das Santas Casas e Entidades Filantrópicas (SINDIFBA), Sindicato dos Hospitais Particulares (SINDHOSBA) e Sindicato de Medicina de Grupo (SINAMGE).

A partir de 2002, as visitas ao interior do Estado se intensificaram, o Sindicato estava ganhando força e apoio dos profissionais da saúde. Foram abertas delegacias sindicais em municípios do interior e no período de 2005/08 houve a primeira Convenção Coletiva em Feira de Santana, com o Sindicato Patronal – SINDOSFEIRA.

Atualmente, as principais lutas do Sindicato são 30 horas para a Enfermagem, aprovação do piso salarial dos Enfermeiros, contra a terceirização dos serviços, pagamento de diferença do adicional noturno de todos os Hospitais, sejam eles Privados ou Filantrópicos. Bem como fortalecimento e abertura de delegacias sindicais no interior da Bahia, concursos públicos e defesa do SUS.

“A categoria dos Enfermeiros vem crescendo ao longo dos tempos e no nosso dia a dia no Sindicato percebemos uma demanda maior para o interior, onde estão se reunindo mais, lutando pelos seus direitos. A Enfermagem cresceu e somos imprescindíveis nos serviços públicos e privados de saúde do país. Precisamos resgatar nossa unidade, fortalecendo a que nos representa, como forma de vencer nossas lutas e conquistas”, Lúcia Duque Moliterno, atual presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Estado da Bahia.   


INFORME-SE!!


Referência: satemrj.com.br.

Responsável pela publicação: Grupo 03 (Daniela Bispo, Jamile Amorim, Thalita Barreto).