A história da
enfermagem está diretamente ligada à origem das práticas de cuidado. Entretanto,
esse cuidado profissional se difere daquele genérico, mundialmente conhecido, que
diz respeito a ações de pessoas com certa maturidade, respeito e compaixão ao outro.
A título de exemplo têm-se o cuidado de uma mãe por um filho.
O cuidado é a prática
mais velha do mundo, era um método de sobrevivência no intuito de recuar a
morte. Os homens cuidavam do território, repeliam o inimigo, protegiam a
família e os pertences. Quanto às mulheres, cabia a elas cuidarem das crianças
(a fim de manter a vida humana), da alimentação e das plantas.
Logo depois, o olhar
mágico dominava os cuidados em saúde, relacionando-o a presença de demônios
e/ou maldições. Não havendo praticamente destaque algum para as práticas de
enfermagem.
Já na sociedade feudal
as práticas de enfermagem (ainda de forma leiga) estão diretamente ligadas ao
cristianismo. Nas igrejas, as irmãs de caridade distribuíam esse cuidado
espiritualmente, e, eram as únicas dignas de exercê-lo, devido à pureza que possuíam.
Até o século XVII a religião era a principal fonte dessas práticas, através da
filantropia e da caridade.
Dessa forma, surgem as
“enfermeiras” consagradas, com dedicação exclusiva aos sofredores, ou seja, a
aqueles que necessitavam de cuidados.
Assim, o cuidado da enfermagem passou a ser
visto como uma característica da mulher, legitimado e aceito pela sociedade.
Apesar de ainda ser visto como um sacerdócio, não como uma profissão.
Durante algum tempo a
enfermagem ficou sem fundamentos, agindo de forma empírica e ligada, quase que
exclusivamente, aos hospitais religiosos - os quais eram considerados depósitos
de doentes.
A Revolução Industrial
abriu brechas para o surgimento da Enfermagem moderna na Inglaterra no século
XIX, tornando-a uma atividade profissional institucionalizada. Juntamente com
isso, a medicina avançou influenciando na reorganização dos hospitais,
colocando o médico como principal agente e a enfermeira como sua auxiliar.
Nessa época, as
condições de saúde eram péssimas, pois predominavam doenças infectocontagiosas,
e não haviam cuidadores qualificados para atender tal situação.
Deste modo, as pessoas
da classe alta eram cuidadas em seus próprios lares, enquanto, que os pobres
continuavam dependendo da caridade e eram usados como objetos de experiência.
Nesse contexto, surge
Florence Nightingale, convidada pelo Ministro da Guerra da Inglaterra para
trabalhar junto aos soldados feridos em combate na Guerra da Criméia.
Florence Nightingale nasceu em 12 de maio de 1820,
na Itália (Florença) e era filha de ingleses. Diz-se que sua inteligência
sobressaía a dos demais, que tinha tenacidade de propósitos, determinação e
ainda perseverança – o que lhe permitia dialogar com políticos e oficiais do
Exército, fazendo prevalecer suas ideias.
Esta notável italiana tinha domínio de diversas
línguas (inglês, francês, alemão, italiano, além do grego e latim).
Diverso e longo foi o caminho percorrido por ela
para capacitar-se ao exímio exercício da enfermagem.
Sobre o assunto, também aponta, em seu site oficial,
a UNIFAP (Universidade Federal do Amapá):
Em
1854, a Inglaterra, a França e a Turquia declaram guerra à Russia: A Guerra da
Criméia. Os soldados ingleses acham-se no maior abandono. A mortalidade entre
os hospitalizados é de 40%.
Florence
partiu para Scutari com 38 voluntárias entre religiosas e leigas vindas de
diferentes hospitais. Algumas das enfermeiras foram despedidas por incapacidade
de adaptação e principalmente por indisciplina. Florence é incomparável:
estende sua atuação desde a organização do trabalho, até os mais simples
serviços como a limpeza do chão.
De pouco a pouco, os
oficiais e soldados começam a curvar-se e a enaltecer a Miss Nightingale.
Segue ainda informações da UNIFAP:
A
mortalidade decresce de 40% para 2%. Os soldados fazem dela o seu anjo da
guarda e ela será imortalizada como a “Dama da Lâmpada” porque, de lanterna na
mão, percorre as enfermarias, atendendo os doentes. Durante a guerra contrai
tifo e ao retornar da Criméia, em 1856, leva uma vida de inválida. Porém,
dedica-se com ardor a trabalhos intelectuais.
Florence ainda recebe
um prêmio do Governo Inglês, pelos trabalhos desempenhados na Criméia. E graças
a este prêmio, consegue iniciar o que para ela é a única maneira de mudar os
destinos da Enfermagem – uma Escola de Enfermagem, em 1859.
Enquanto isso, no
Brasil a história da Enfermagem inicia no período colonial. Com destaque para
as Casas de Misericórdia originadas em Portugal.
Outrossim, deste
período (Colonial) até o fim do século XIX é compreendida a Organização da
Enfermagem na Sociedade Brasileira, que realiza suas análises a partir do
contexto social da coletividade brasileira em formação.
Também é importante
salientar que muitos desses cuidados eram realizados por escravos que
trabalhavam nos domicílios ou auxiliavam os padres e freis.
A primeira sala de
partos funcionava na Casa dos Expostos, em 1822. Essa casa foi fundada por
Romão de Matos Duarte em 1738, porém a preocupação com a maternidade só aparece
em 1822. Poucos anos depois isso deu abertura para o desenvolvimento da escola
de parteiras no Brasil.
No Império, raros foram
os nomes que se destacaram, no que diz respeito à enfermagem brasileira. No
entanto, Ana Neri merece especial menção.
Ela nasceu em 13 de
dezembro de 1814. Seu nome: Ana Justina Ferreira. Seu nascimento ocorreu na
Cidade de Cachoeira, Província da Bahia. Casou-se com Isidoro Antonio Neri,
ficando viúva aos 30 anos. Teve dois filhos (um médico militar e um oficial do
exército), ambos foram convocados a servir a Pátria durante a Guerra do
Paraguai (1864-1870), sob a presidência de Solano Lopes.
Ana Neri colocou-se à
disposição de sua Pátria, improvisou hospitais em campo de batalha, e não mediu
esforços na dedicação a cada atendimento a feridos que realizou.
Depois de longos cinco
anos, ao retornar para o Brasil, é recebida com carinho e louvor (em sua cabeça
puseram uma coroa de louros e Victor Meireles pintou sua imagem – imagem essa
colocada no Edifício do Paço Municipal).
Acerca deste retorno de
Ana Neri ao Brasil após a Guerra, a UNIFAP (Universidade Federal do Amapá)
menciona em seu site oficial que:
O
governo Imperial lhe concede uma pensão, além de medalhas humanitárias e de
campanha. Faleceu no Rio de Janeiro a 20 de maio de 1880. A primeira Escola de
Enfermagem fundada no Brasil recebeu o seu nome.
Com isso, verifica-se o
desenvolvimento da Enfermagem e alguns dos precursores da mesma. Vide Ana Neri
e Florence Nightingale. É certo que, apesar dos avanços, os
profissionais da área, esperançosos, aguardam por novas conquistas a serem
alcançadas.
REFERÊNCIAS:
1. COLLIÈRE, Marie-François. Promover a vida. Da
prática das mulheres de virtude aos cuidados de enfermagem. Lisboa: Sindicato
dos Enfermeiros Portugueses, 1989.
2. SCLIAR,
Moacyr. Do Mágico ao Social. Trajetória da Saúde Pública. São Paulo:
Editora SENAC, 2002.
3. SILVA,
Graciette Borges da. Enfermagem profissional. Análise Crítica. São
Paulo: Cortez, 1986.
4. MELO, C. M.M. Divisão Social do Trabalho
e Enfermagem. 1. ed. São Paulo: CORTEZ, 1986. v. 1. 84p.
5. HISTÓRIA
DA ENFERMAGEM. Disponível em: http://www2.unifap.br/enfermagem/sobre-o-curso/historia-da-enfermagem/
Acesso em: 03 de Janeiro de 2017.
6. HISTÓRIA
ENFERMAGEM. Disponível em: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAkVgAC/historia-enfermagem/
Acesso em: 03 de Janeiro de 2017.
Responsável pela postagem: GRUPO 01 (Camila Martins, Camila Santana e Raquel Araujo)






