Mostrando postagens com marcador parto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador parto. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Violência Obstétrica


 “Quando chegou o momento do parto eu gritava ‘me ajuda! ’. Uma enfermeira debochava de mim e caçoava: ‘Vai lá, ajuda ela’. E todos riam”.
- Silvia Moreira Gouvea, dona de casa e mãe de Davi e Daniel.
“A médica fez uma episiotomia sem que eu soubesse e, enquanto dava os pontos, ela ia explicando para cinco alunos presentes como era o tecido do meu períneo. Me senti uma cobaia humana”.
- Elisângela Alberta de Souza, esteticista e mãe de Cecilia, Pedro e Ester.
“Durante uma contração, eu baixei a perna e, sem querer, sujei o chão que o obstetra estava limpando. Em resposta, ele bateu no meu joelho”.
- Cristiane Fritsch, psicóloga e mãe de Iago. 
Esses relatos que você acaba de ler são de mulheres que foram vítimas de violência no parto. Infelizmente, 25% das mulheres que tiveram filhos pelas vias naturais na rede pública e privada sofreram violência obstétrica no Brasil, de acordo com uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo.  Apesar de a pesquisa se restringir ao parto normal, a violência também pode acontecer em uma cesárea. Os abusos mais citados pelas mulheres no levantamento foram:
·         Se negar ou deixar de oferecer algum alívio para a dor;
·         Não informar a mulher sobre algum procedimento médico que será realizado;
·         Negar o atendimento à paciente;
·         Agressão verbal ou física por parte do profissional da saúde. 

 Comentário:
A violência obstétrica é mais uma evidência de como as mulheres sofrem cotidianamente com os conceitos que a sociedade insiste em manter, ver a mulher como um objeto de reprodução que simplesmente tem que suportar dores horríveis e se manter calada, ter seu corpo dilacerado, o que deixará marcas irreversíveis, pois “na hora de fazer ela não achou ruim”. A parte mais triste disso é o fato de profissionais diplomados, e que deveriam ter total respeito para com seus pacientes, cometerem atos tão desumanos, atos que até o mais leigo de todos pode ver e entender o quão absurdo são.
O parto violento deixa marcas físicas e psicológicas que perduram por toda a vida, um momento que para muitas mulheres é de felicidade e pleno amor se transforma em um pesadelo onde tanto elas quanto seus bebês estão a mercê de profissionais negligentes e tem seus corpos tomados como objetos nas mãos dessas pessoas. Esses casos nos levam a refletir sobre os índices de violência contra a mulher, não é sempre que vemos notícias informando casos de homens sofrendo alguma violência durante quaisquer procedimentos médicos, seriam as mulheres vistas como insignificantes e propriedade da sociedade? O que se passa na cabeça dessas pessoas, que em sua maioria, como no caso da enfermagem (enfermeiras/os, técnicos/as de enfermagem e auxiliares de enfermagem), são mulheres e que possivelmente também são ou serão mães?
É vergonhosa essa conduta abusiva para com as mulheres, precisamos ter uma construção profissional humanizada para que os profissionais compreendam de uma vez por todas que, independente de qualquer, coisa ali na mesa de parto são seres humanos e merecem todo o respeito e compreensão.


Responsável pela publicação: Grupo 05 (Monalisa Oliveira, Ruth Francielle, Samantha Rocha)